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“O MUNDO É UM CIRCO, DEUS SÓ SE ESQUECEU DE COLOCAR A LONA”

Alguns palhaços não tem graça nenhuma

Alguns palhaços não tem graça nenhuma

Os últimos acontecimentos do cristianismo mundial foram emocionantes, revoltantes, extasiantes e estarrecedores. Não faltaram reações contrárias, a favor ou apáticas. Mas esse ano já está marcado na história como dos grandes acontecimentos históricos da Era Cristã. Não é a toa que muitos fiéis, ou nem tanto, para aliviar o estado de perplexidade, caíram na folia.  Recapitulemos.

Silas Malafaia foi motivo de verdadeiras rinhas religiosas no mundo virtual, nas vans que fazem lotação e nos botequins da esquina. Ele está na boca do povo como o pseudo defensor “os direitos da família contra a ditadura homossexual”; por ter saído na revista Forbes como um dos pastores mais ricos do mundo; e por sua entrevista polêmica no “De Frente com Gabi”, onde soltou impropérios do tipo “Está na Bíblia que pastor tem que ganhar bem”. Ficou irritado com a matéria da Forbes pois outro dia estava vendendo uma “benção profética” por R$1.000,00 em seu programa. Reclamou que poderia perder doadores. Mas chega de falar nele.

Joseph Alois Ratzing, mais conhecido como Bento XVI, renunciou o papado.  No mundo gente lamentando e agradecendo por tudo que o Papa fez. Agradecendo? Isso mesmo. Não sei o que, mas tem religioso para tudo. O fato é que o cargo com título de “Papa” não tem absolutamente nada de espiritual, e é de conhecimento público que Bento XVI só tomou essa decisão por conta de todas as artimanhas políticas que o envolvia. Pressionado pela Cúria, os problemas de pedofilia que vieram a toda em seu mandato, as revelações se seu mordomo, as rebeliões de grupos organizados e um monte de traidores no seu palácio que fariam Judas Iscariotes parecer um escoteiro.

Valdemiro Santiago, “apóstolo da Igreja Mundial”, além de também posar na Forbes como o segundo pastor mais rico do Brasil, na semana seguinte a matéria, aparece na TV vendendo um “tijolinho da obra de Deus” por R$200,00. Especula-se que com esse empreendimento, ele está tentando levantar mais 15 milhões para o montante que precisa para compra da Rede CNT.  Óleo de peroba para ele é muito pouco.

O Conexão Repórter do SBT, vasculhou um pouco da vida do pastor “metralhadora” Marcos Pereira, que teria construindo um pequeno império na Baixada Fluminense com ajuda do dinheiro do tráfico. O pastor ainda é acusado de abusos sexual, envolvimento criminoso com rebeliões e ter ordenado execuções. O mais interessante e grotesco, são as justificativas do pastor. Ele diz que se o traficante se converte e quiser purificar o dinheiro que ganhou no tráfico, é só dar a parte que é da igreja, então a outra parte está limpa, não é mais amaldiçoada. Ficou pasmo com tamanho argumento absurdo?  Mas o que ele realmente põe um nariz de palhaço em seus fiéis é quando diz que os abusos sexuais que cometeu foram “fraquezas da carne, tentações que todo líder passa”.  No quesito cara-de-pau ultrapassou Valdemiro. No quesito sacanagem, parece que andou fazendo cursinho com os padres pedófilos.

Agora sem dúvida alguma o individuo que mais contribuiu com a absurda história cristã recente, se chama Edir Macedo, conhecido pela alcunha de “bispo”.  Enquanto o país inteiro pranteava por causa do desastre em Santa Maira, RS, Macedo pega um texto de Êxodo 30:11-12, onde  fala de recenseamento, e usa como argumento para afirmar que se alguém der uma “oferta de sacrifício” por um outro alguém, este será salvo. Sim, esqueça esse papo de Jesus e seu sacrifício na cruz para salvar a humanidade. O bispo afirmou que é só dar uma “oferta de sacrifício” que salvará o familiar desejado. Bento XVI deve ter ficado muito feliz com ele, afinal “indulgencia” pela salvação foi a igreja católica medieval que criou. O mais chocante foi quando o bispo, nesse mesmo vídeo diz que “Os jovens naquela boate em Santa Maria morreram porque não tinha ninguém sacrificando uma oferta por eles”.  Quase vomitei em olhar para cara dele pronunciando isso.

Que o povo da IURD não está nem aí para qualquer declaração psicótica vinda de Macedo a gente sabe. Tanto que muitos estavam afirmando na página oficial do bispo no Facebook, que já haviam pego o envelope e iria sim participar do sacrifício para que não acontecesse a mesma coisa com seus parentes. Outros chegaram ao absurdo de afirmar que se esses jovens estivessem na “igreja” (templo), isso não teria acontecido.

Pois bem, tristemente, por esses dias, em um culto da IURD no continente africano, um acidente deixou vários mortos e feridos. Isso para o povo da Universal comprovar, dolorosa e infelizmente, que acidentes são coisas da vida, e não tem nada haver com o discurso manipulador que uns líderes utilizam.

Mas o bispo Edir Macedo é o mais sagaz dos espertalhões do discurso causa e efeito. Ele saiu naquela dita matéria da Forbes como o pastor mais rico do Brasil. Em um de seus cultos, trajando um terninho, corte de cabelo e gesticulação que o deixa muito parecido com o Sr. Burns dos Simpsons, ele enche a boca e diz “Eu não sou o pastor mais rico do Brasil. Sou o pastor mais rico do mundo”. Dá uma risada diabólica repetida vezes e é acompanhado por seus fieis que, hipnotizados, também riem.

Confesso que muito exaurido, meditando nessas coisas todas, me veio àquela frase na cabeça: “O mundo é um circo, Deus só se esqueceu de colocar a lona”. O que estava sentindo o autor dessa frase? É um sistema político, financeiro, religiosos desgraçado que riem de nossa cara todos os dias.  Eu sei que tem gente que gosta de ostentar aquele nariz de palhaço como protesto. Mas sinceramente será preciso mais que isso.

Talvez, quem sabe, roer todas as cordas, minar essas estruturas, e ver essa lona cair de vez.  Aí sim, vamos fazer história. Causar um impactante caos nesses engravatados inescrupulosos, e começar tudo do zero.  Então virá o começo de nossa verdadeira alegria e será a nossa força. Sem essa palhaçada que estão chamando de “cristianismo”.

PS.: Se alguém souber de quem é a frase do título, por favor me fale. Eu não consigo lembrar. 

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EU SOFRO COM O PASTOR QUE MERGULHA NO ESGOTO

Que Jesus está saindo de sua boca?

Acabo de sentir um dos piores sentimentos que ser o humano pode sentir: pena. É a segunda vez essa semana que sou alvejado por isso. Estava assistindo o vídeo de um pastor da Igreja Mundial mergulhando no esgoto para que acontecessem milagres na vida do povo. Segundo ele, repetia o evento bíblico ocorrido com Naamã, quando o profeta Eliseu mandou que este mergulhasse no Rio Jordão por conta de sua lepra.

Senti muita pena desse rapaz. Pelas redes sociais e blogosfera, o apontava como analfabeto, pobre e idiota por estar fazendo isso – enquanto seu líder anda de jatinho, vive bem, tem propriedades – por não conseguir sobreviver fora da igreja, sem emprego, é capaz de qualquer maluquice para entreter o povo.

Rapazes como ele, não aprenderam nada sobre o que Jesus veio fazer na terra. Jesus não mandou abrir e nem abriu um templo; não mandou fazer um sacrifício financeiro ou de animais; não mandou praticar nenhum ritual judaico; muito menos disse que o trabalho de seus discípulos era conseguir bênçãos materiais ou de qualquer outra natureza para o povo.

Senti pena de uma senhora. Ela com a vida sofrida, cheia de percalços pessoais, afundada num mecanismo de religiosidade que estava sugando toda sua existência. Mas estava contando vantagem, porque uma corrente de prosperidade de sua igreja está lotando, o líder maior de sua instituição está vendendo muitos livros e esbravejou dizendo que a rejeição política que o povo tem em relação ao nome de sua igreja, é inveja. Eles, os líderes, continuam “arrebentando”.

Confesso, não consegui dizer nada. Só segurei a imensa vontade de chorar. Tal como fiz agora, assistindo o vídeo desse rapaz. O que me entristece é saber que os homens que poderiam pregar o evangelho, de verdade, não o fazem. Acorrentam essas pessoas aos seus sistemas, e essas acham que Jesus é isso.

Dois tipos de pessoas são criados (não vou citar as outras): as miseráveis que correm com a ”cenoura da benção“ amarrada em sua frente; e as individualistas, egocêntricas, que pensam que Jesus é o maitre de um restaurante de prosperidade e que precisa arrumar o melhor lugar para elas se acomodarem e se exibirem.

Eu não sei quantos milhares de pessoas estão agora nesse mundinho religioso de revelações, correntes e campanhas para sua vida mudar. Não aprendem o que é reino de Deus. Não sabem nada da graça e muito menos quem é o Jesus dos evangelhos.

Uma dica preciosa, que todos podem descobrir lendo os quatro evangelhos, despojados da ”visão“ da sua igreja ou sem a interpretação dos seus pastores, bispos e apóstolos: é que o reino de Deus veio para consumar tudo.

Jesus chegou e disse: vocês ainda estão competindo poderes? Vocês ainda estão preocupados com o que comer ou vestir? Vocês ainda estão preocupados com templos, rituais litúrgicos engessados? Vocês ainda estão preocupados com o pecado e o diabo? Vocês ainda estão preocupados em ajuntar para si ao invés de compartilhar? Vocês estão preocupados com sua própria vida e perdendo-a? Preciso dizer a vocês que O REINO DE DEUS CHEGOU!

Todas essas coisas que existiam antes de Jesus e que os incautos – como esse pastor do vídeo – aprendem como sendo verdadeiro agora, já era. Já passou. Em Jesus está a vida do reino dos Céus, que chega a Terra em nós, para nós e através de nós. O “está consumado” existe para que não precisemos sentir pena de ninguém mergulhando no rio de fezes, enriquecendo alguém pela fé ou segurando uma corda no Círio de Nazaré.

Precisamos dizer aos poderosos desse mundo que o reino de Deus chegou. Há outro poder agora. Há um novo governo e que eles não podem mais fazer os “pequeninos” desse reino viver escravizados e dignos de pena.

Você também está com fome e sede de justiça? Então seremos fartos (Mt 5:6).

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APÓSTOLOS, BISPOS, MISSIONÁRIOS, CARDEAIS E RENATO RUSSO

A partir do disco “Dois” eu passei a acompanhar de ouvido a Legião Urbana. Minha irmã mais nova, influenciada por mim, também tomou gosto pelo rock poético e profundo de três acordes. Mas numa época pré internet, nem todo mundo sabia quem era o dono daquela voz. Quando minha irmã viu pela primeira vez a imagem do “Trovador Solitário”, ela soltou seu espanto: Esse é Renato Russo? Realmente a aparência do cara não impressionava.

Esse artista se preocupava em cantar canções para salvar os índios, as crianças, as mulheres, e, sobretudo, falar que o amor é importante.

Minha mulher esses dias observou que no supermercado estava tocando “Pais e Filhos” e todo mundo estava cantando. Do maior ao menor.

Lembro-me que uma vez fui a um culto em uma igreja que eu já havia pregado inúmeras vezes, com uma camiseta com a foto do Renato e a frase extraída da canção: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.  Um pastor amigo meu, me chamou num canto e disse: “Me admiro você, já pregou aqui, pastoreou e tal, usando camisa desse cara”. Para ele, não interessava a mensagem que estava escrita, o transmissor não era bem visto aos seus olhos religiosos. Imagina, um “pecador” veículo da mensagem do amor?

Ironicamente, quem mais pregou “Coríntios 13” Brasil a fora foi também a voz de Renato Russo, preocupado em dizer que “mesmo que se fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor não adianta de nada”.

Hoje eu estava cruzando a Ponte Rio x Niterói, pensando em como seria essencial que nossos líderes eclesiásticos entendessem a importância disso. Que talvez um dia eles pedissem perdão uns aos outros e também ao povo.

Seria interessante ver o Missionário R. R. Soares chegar paro o Bispo Macedo e pedir perdão por adotar a estratégia de anos em ficar abrindo sempre uma igreja ao lado da Universal para concorrer como se fossem duas lanchonetes.

Seria bom o Bispo Macedo pedir perdão por seus pastores ficarem taxando o Apóstolo Valdemiro Santiago de “anticristo”, “caído”, “endemoniado”, promovendo perseguições contra o sujeito na TV, jornais e templos.

Seria melhor ainda que o Apóstolo Valdemiro se desculpasse por usar os cultos ao vivo na TV para promover “guerra santa” pondo o povo da Mundial contra o povo da Universal, e sempre se gabando que a instituição dele é a melhor.

Seria comovente se algum Dom, cardeal ou bispo da igreja católica puxasse o coro junto com os evangélicos e pedissem perdão ao povo brasileiro por tanto acúmulo de riquezas enquanto seu povo vive em tamanha miséria. Dizer que tem vergonha dos templos com ouro; os financiados pelo dinheiro público; catedrais colossais; vestimentas soberbas; e que tudo isso vai acabar. Os evangélicos vão desistir dessa idéia medonha de construir Templo de Salomão, Cidade Mundial, Catedrais com pedras de Israel… Que de agora em diante, vamos destinar o dinheiro do povo para ajudar “as viúvas e os órfãos” como disse Deus em Isaías e Jesus nos evangelhos.

Tudo bem. É um sonho distante. Mas passei a crer que quando Jesus diz que “faríamos obras maiores”, é a respeito das coisas do seu reino do amor. Que “tudo é possível ao que crê”. Então, se “não houver amanhã” eu decidi que vou lutar para continuar amando as pessoas. Porque, afinal, se eu começar “parar pra pensar… A  Verdade não há”. Grande ‘profeta’ Renato.

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O PROTESTO DOS EVANGÉLICOS

Quem você anda seguindo?

Uma “igreja” institucionalizada é uma organização que tem muita coisa a perder. Por isso mesmo, seu posicionamento diante do mundo e das questões de injustiça social, política e religião, é, na maioria das vezes, apático. O que interessa a qualquer denominação religiosa é defender seu próprio interesse.

A ação dos representantes do reino de Deus é de quem não tem nada a perder. Você irá encontrar a partir da leitura de Atos dos Apóstolos pessoas como Estevão e Felipe, que desbravavam corações cheios de tradições culturais, místicas e religiosas com a mensagem pura deixada por Jesus, com o único compromisso de que esta fosse anunciada. Mesmo a custo da própria vida.

O imperador romano Constantino, teve a preocupação de organizar o cristianismo, burocratizando-o como o conhecemos hoje. Para isso ele conciliou a celebração de culto com a estrutura dos templos pagãos, cerimônias que continuassem lembrando a adoração ao “deus sol”, tudo para agradar seus costumes de origem e não parecer estranho demais a seus pares. Também, em nome do que chamou de cristianismo, destruiu povos, e matou muita gente, inclusive seu sogro, sua esposa e seu filho. Manter o poder da estrutura que criou usando o nome de Deus era mais importante do que obedecer a mandamentos “sem sentido” do tipo “amar ao próximo como a ti mesmo”.

Quando vejo hoje alguns cidadãos sinceros tentando diferenciar a igreja evangélica da igreja neopentecostal, eu fico me perguntando: qual é a igreja evangélica?

Você começa assistir um pastor formado na igreja evangélica tradicional falando que “avivamento é questão de sobrevivência”, e isso soa interessante. Claro, sim, porque não? Afinal, foi após o avivamento que os discípulos cheios do Espírito, palavra, poder do Nome, saíram mostrando Jesus ao mundo. Mas, olhando atentamente para esse pastor, vai se deparar com quem ele admira: “líderes que vieram do nada e montaram um império”. E ele ainda afirma que é o desejo do seu coração. Ops, não era o avivamento o seu propósito inicial?

Como se não bastasse, esse mesmo pastor, com o passar do tempo se autoproclama “o maior avivalista” desse século. Para alguns mais atentos, o comportamento desse líder já demonstra sua intenção. Agora, ele se entrega pelas declarações. Mesmo que diga que está servido ao Jesus que “não tinha onde reclinar a cabeça”, que o “Seu reino não é desse mundo”, e “quem quiser ser o maior que seja o menor”. Esse é um pastor evangélico?

Há muita gente evangélica para ser citada. Mas você repara num outro mais famoso. Anos de tradição em todos os sentidos, na formação, liturgia, vestimenta, seja lá o que for não deixa dúvida, esse pastor pertence à igreja evangélica. Seus sermões nos cultos, transmitidos na TV, são para evangélicos; suas caravanas são evangelísticas. Mas com o passar do tempo, você o vê adotando estratégias de “marketing espiritual” para arrecadar um pouco mais de dinheiro. “profetas velhos” estrangeiros são convocados para ensinar suas perspicácias engodantes: “Você vai trazer o valor X, pois na bíblia X representa a passagem Y, o número santo de Deus”. O truque funciona.

Mas conseguimos perceber, conforme ele vai entregando, que é necessária uma quantia muito alta, pois vêm outras “igrejas evangélicas” e tentam pegar seu horário na emissora. Ele declara que a convenção denominacional a que pertence há uma grande intriga para eleição de presidentes, tesoureiros… O status e a movimentação financeira são interessantes, por isso os irmãos se digladiam. Ele briga feio com outras denominações. Atira contras os que são “canalhas evangélicos” em suas palavras. Ele não titubeia em brigar com quem quer que seja para defender seu sistema de atuação. Sim, ele acredita que com isso está demonstrando Jesus.  O dinheiro arrecado via “profetas da prosperidade”, o espaço na mídia a todo custo, a guerras religiosas, tudo isso está no pacote evangélico.

Recentemente assistimos a mais um capítulo do embate Edir Macedo X Valdemiro Santiago. Num belo domingo de março o bispo mandou preparar uma carta, usando o versículo, totalmente fora do contexto, “entregue esse homem a Satanás” (I Co. 5:5), disse que o Apóstolo Paulo entregou o homem (mesma vida que Valdemiro?) a satanás, mas ele não entregaria. Distribuiu em grande quantidade em todos os templos da IURD.

Mas o pior estava por vir. Numa reportagem investigativa que durou quatro meses, a Rede Record mostrou para todo Brasil em todas as emissoras do grupo, exaustivamente, as fazendas que Valdemiro teria comprado com o dinheiro da Igreja Mundial. Como se a própria Record, a qual Macedo é dono, não fosse comprada com dinheiro do povo, e até hoje, pasmem, o dinheiro do povo da Universal mantém horários na emissora que o próprio povo comprou. Não precisamos entrar aqui em detalhes das propriedades em nome de bispos, pastores e familiares de Macedo, mas eles tiveram a indelicadeza de mostrar o carro de Valdomiro. Carro? O que é isso perto de milhões acumulados ao longo dos anos? Ufa!

É claro que isso rendeu reações de todos os recônditos gospels. O que mais me chamou atenção foi um protesto virtual que diz “Universal e Mundial não são igrejas evangélicas”. De fato não são. Sociologicamente falando. São neopentecostais. Mas o que é a igreja evangélica no Brasil?

Quando escrevi “Não posso ser chamado de cristão”, desagradei uns amigos e perdi uns leitores. Mas é preciso pensar se pessoas como Paulo, o apóstolo, ficou receoso em desagradar sua formação e ao grupo a que pertencia quando recebeu o chamado de Jesus. O que é evangélico, cristão, pentecostal aqui nesse país? É bem provável que muita gente que segue o Jesus de Nazaré, não se encaixe nesses rótulos, pois por mais que esses bispos, pastores, apóstolos, reverendos, “pai-póslotos” (sic), tenham um discursos justificado pelo seu argumento, muitas vezes usando a bíblia, sua vida, suas ações e o posicionamento de suas instituições não condizem com a vida do jovem Nazareno dos evangelhos.

A igreja evangélica brasileira não existe como comunidade de Jesus. É um emaranhado de placas, logomarcas, convenções, campos, em defesa do seu próprio interesse e ideologia. Onde quem pode mais chora menos. E para defender os interesses de seu legado, seus líderes vão até as ultimas consequências. Mesmo que para isso façam a vontade de diabo.

Talvez muita gente sincera goste do nome de sua “igreja”. É lá que tem a comunhão com pessoas que você gosta; a banda que é legal de tocar; o ministério que te deixa ocupado; as aulas que você gosta de ministrar; o uniforme que te dá tanto orgulho; o prédio que ajudou a construir; e talvez você dependa mesmo da obra, das funções, dos seus afazeres para te manter “crente”. Por isso, mesmo que algo esteja errado na atuação do seu líder, você prefere tocar o barco, pois é mais cômodo praticar o evangelho institucionalizado. Já vem tudo mastigado, é só engolir. Esse negócio de ter comunhão pessoal com Deus, vida com Jesus diária dá muito trabalho. Então você continua “evangélico”.

Mas saiba que se depender dessas instituições, o reino jamais virá a terra.  Estão preocupadas demais com si mesmas. Então quando você diz “evangélicos” é por sua conta.

O reino de Deus não virá por meio de “igrejas”, instituições, religiões, ONGs, Apóstolos ou bispos. O reino de Deus virá por meio dos indivíduos. O protesto é seu; a ação é sua; o “amar ao próximo” é você quem vai demonstrar; o “ide” não é por conta do “conselho de missões”; o “ide” é diário, de indivíduo para individuo.

Esqueça as instituições e o coletivo. Foque apenas numa pessoa. Se você conseguir fazer o que esse Jesus compartilhou por aqui, o reino de Deus poderá vir mesmo.

Ouse tentar.

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EDIR MACEDO CURA PELA MÃO DE VALDEMIRO SANTIAGO

Sobre meninos e lobos

Era um ritual. Todas às vezes durante os preparativos para ir ao culto, minha mãe sintonizava o dial na Rádio Relógio. Aquele “Thum, thum, thum,” latente era música para meus ouvidos. Entre os intervalos de informações curiosas, tudo tipo “as tartarugas só põem ovos no outono”, eu gostava de ouvir o “Café Espiritual, cinco minutos de devoção bíblica com o bispo Roberto McLister”. Ainda hoje aquele sotaque gringo vem à minha memória, principalmente na benção final, copiada por alguns: “Que Deus abençoe rica e abundantemente”.

McLister para quem não está ligando o nome à pessoa, é o canadense que aportou aqui no Brasil e fundou a Igreja de Nova Vida, muito familiar e tradicional, que após sua morte foi rachada em duas e depois em muitas outras independentes, perdendo sua força unitária. Algo importante no ministério deste bispo é o fato de ter gerado um filho na fé muito ilustre e talvez o mais famoso mundo afora: Edir Bezerra que veio a se tornar o famigerado Bispo Macedo.

A tradição pentecostal afirma que se um indivíduo faz um filho na fé, ou “ganha sua alma para Jesus”, usando a linguagem apropriada, os outros filhos gerados por este, se tornam também filhos do primeiro indivíduo. Por essa linha de pensamento, McLister, mesmo sem estar aqui pra ver, se tornou pai dos três maiores seguimentos neopentecostais, e milhares de outras portinhas e impérios no Brasil. É claro, se pudesse estaria se revirando no túmulo desesperadamente.

A manchete dizia: “Paralíticos curados na África pelo bispo dos milagres”. A foto, uma mulher erguida da cadeira de rodas, guiada pelas mãos de Valdemiro. O Jornal era a Folha Universal. Assim corria a fama do, agora apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, nos anos 90 na Igreja Univesal.

Eu estava articulando esses pensamentos enquanto cortava a grama do meu quintal (Queria dizer ao Paulo Brabo que agora também tenho um mosteiro…). E enquanto o cheiro do mato verde recém cortado subia às minhas narinas, eu ficava tentando montar o tremendo mosaico da guerra santa brasileira que não é de hoje.

Veio à mente que no final dos anos 80, bispo Macedo brigou feio com o pastor batista Nilson Fanini, e em cadeia nacional, diretamente do Rio, especificamente dos alto-falantes da Radio Copacabana, safado foi o melhor elogio vociferado por Macedo. Alguns anos depois, eu estava lá no encontro do CNPB – Conselho Nacional dos Pastores do Brasil – no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Para surpresa de toda cúpula evangélica do Brasil, que trajando ternos mal cortados davam sorrisos amarelos mostrando simpatia, um Macedo quebrantado pediu perdão ao pastor Fanini, dizendo: “Eu falei mal do senhor, e peço perdão, pois não tinha consciência que estava falando mal de um homem de Deus”. Beleza, uma multidão soltou “glória a Deus”, “Aleluia”, e a gente pensou que realmente isso poria um fim na guerra entre os “irmãos”.

Curiosamente, nesse encontro, a única ausência alardeada por todos os cantos foi a do reverendo Caio Fábio, na época, já inimigo declarado de Macedo, com o privilégio de ter as câmeras da Rede Globo para suas considerações. A Universal vivia um período parecido com este que a Mundial vive de milagres, povo e dinheiro a rodo. Coincidência ou não, após se levantar contra Macedo, ouve uma grande reviravolta no ministério de Caio Fábio. Um estado de declínio que o fez perder tudo naquele momento. Sobre o reverendo, talvez mereça outra abordagem que não é essa. O interessante é que podemos aproveitar que a Rede Record exibiu com sucesso a minissérie Rei Davi, e nos lembrar de Saul.

Saul é o cara escolhido por Deus, ungido pelo profeta Samuel para ser o primeiro rei de Israel. Paulo Gracindo Filho, representa muito bem o momento em que o ungido de Deus se torna o homem soberbo, maligno, perturbado, inescrupuloso e capaz de todas as maldades possíveis. Ungidos, homens de Deus podem cair e se desviar do seu caminho original e se tornar um Saul. Davi, servo de Deus, soube respeitar a unção alheia e esperar a vontade do Senhor. A vontade de Deus é algo muito difícil de esperar em tempos pós-modernos. Mesmo que o Messias tenha ensinado a clamarmos isso todos os dias: “Seja feita a Sua vontade”. Alguns querem a própria vontade a toda força.

Incrivelmente Edir Macedo gravou um vídeo, que todos já viram, entrevistando (sic!) um demônio, indagando se o pobre diabo teria vindo da Igreja Mundial. A vergonhosa cena é protagonizada por um dos maiores pregadores e líderes mundiais. Seus feitos já são de conhecimento público. Seu sucesso e seu nome foram além do que muitos nem sonham chegar. Poderia muito bem passar sem essa mancha terrível em sua biografia. Converso com alguns de seus liderados pelo Brasil, e esses dizem que “o homem perdeu a cabeça, tá desesperado”. Esses coram a face de ver o que seu líder, antes altamente venerado, vem fazendo.

O que o bispo Macedo não vê é que Valdemiro Santiago é cria sua, saiu lá da IURD, logo deveria ficar feliz, pois pela lógica evangélica, quando a Mundial ganha almas, é o trabalho da Universal que rendeu outros frutos. Pelo menos deveria ser assim se estivéssemos todos pensando em evangelho, cristianismo, ou simplesmente fazer a vontade daquele que enviou nosso Salvador. Tudo bem que a IURD está perdendo povo; não consegue dar continuidade a faraônica obra do Templo de Salomão em São Paulo; os custos com Record são altos; a mão de obra interna é muito cara e por isso mesmo tem sido cada vez mais reduzida. Mas, sinceramente, devagar com esse andor.

Embora eu tenha caricaturado uma dúzia dessas igrejas neopentecostais no romance O Reino Perdido, a intenção é a crítica construtiva. Por mais ácida que seja. Afinal, creio que muitos, talvez a maioria desses homens receberam um chamado de Deus realmente. Se no meio do caminho fizeram como Saul, é outra história.  Mas o povo de Deus não tem na a ver com isso. Sendo bem simplório, digo a esses elefantes que brigam: cuidado com a grama.

O mais sensato seria seguir o conselho de Jesus aos abastados: vá venda tudo que vocês têm – seu orgulho, status, nome, fama, capa religiosa – distribua aos pobres e siga-me. É complicado para qualquer lado dizer que perdeu. Cair em si, ou cair de si. Se não for por amor ao nome do Messias, seja pelo menos para manter a compostura, senhores.

Pensando bem, acho que Macedo, Soares e Valdemiro trocam mensagens pelo FACE dizendo: viu, te sacaneei hoje. E a gente aqui, se preocupando a toa.

Venha o Teu Reino Senhor!

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