A CASCA DE BANANA DO CRISTIANISMO

Thalles equivocado na representação

Thalles equivocado na representação

Por influencia da mídia, do poder dominante, de quem tem exposição e a condição de falar e ser ouvido, os símbolos adotados pelas pessoas, quase sempre não condizem com a realidade da ação inicial. E o que é pior, o povo adota os símbolos, divulgando de forma errada, identificando a causa de maneira absurda e consumindo os produtos oriundos de tudo que é criado em torno.

No caso recente, de repercussão internacional, o jogador Daniel Alves sofreu um ato de racismo que tem sido comum. Atiraram uma banana no campo, e ele, com a ação de quem ”anda duas milhas“, comeu a banana, eliminando assim o símbolo dos racistas. Rapidamente um empresário, Luciano Huck, teve a ideia de lucrar com o fato, fazendo camisetas e vendendo a R$69 em um site de sua propriedade. Uma agencia de publicidade, Loducca, lançou a hashtag #somostodosmacacos, o que foi altamente difundido. Pronto, o circo estava armando, o povo, maioria, sem refletir muito, pegou o elemento usado no ato racista e começou usar como símbolo pejorativo “anti-racista”.

Percebe a discrepância? Não é a banana, é a atitude de Daniel Alves em eliminá-la, desdenhá-la, consumi-la e seguir sua vida, mostrando que estava além daquele ataque.

Sou muito preocupado com o uso dos símbolos. Embora tenha uma origem cristã, um tempo de estudos teológicos e uns anos de práticas espirituais, não consigo ostentar nenhum símbolo dos que são impostos como representação de Deus ou Jesus. Os termos, os jargões, a denominação, o uso que se faz dos símbolos históricos é cada vez mais distante do Jesus que tenta – espremidamente – se deixar conhecer pela humanidade.

Dentre esses símbolos, o que mais me incomoda mesmo é o uso que se faz da cruz. A cruz era um elemento de tortura usado centenas de anos antes de Cristo. Os romanos adotaram a prática de tortura e escárnio na qual Jesus acabou sofrendo. Aconteceram coisas muito importantes na morte do Messias: o véu do templo, que impedia o acesso direto do povo a Deus, foi rasgado; evocando o elemento “cordeiro” que era sacrificado no lugar do pecador, Jesus morreu por todos os pecados da humanidade; tabernaculando sobre toda carne, de modo que todos podem ter acesso ao reino de amor, ele declarou “Está consumado”. Pronto, o ato, a atitude, tudo que estava sendo destruído e construído naquele momento é o essencial para outro mundo possível. Mas o que as pessoas santificaram? A cruz.

Paulo, o apóstolo, anos depois evoca a “mensagem da cruz”. Sua Carta aos Romanos é um tratado sobre o que é essa mensagem. Note que Paulo frisa a “mensagem” que foi feita, dita, consumada na cruz. Não é a cruz!

É claro que a igreja cristã romana, origem de todo cristianismo moderno, tem a maior culpa no cartório. Suas cruzadas funcionam até hoje. Tanto que até quem não se diz católico romano, é ainda um grande devoto da cruz. Há canções evangélicas dizendo que tem que ficar “aos pés da cruz”, “passar pela cruz”…, como se fosse elemento de salvação. É um elemento de tortura. Jesus é o símbolo de salvação e de outro tipo de ser humano possível.

Mas faz tempo que não trato de assuntos religiosos, espirituais, ou coisa dessa natureza. Porque esse insight agora? Além da aberração do uso indevido da banana, uma gota que transbordou outro dia foi uma mensagem do Ed René Kivitz, um dos teólogos que mais respeito e ouço no Brasil. Ele sempre fez menção a cruz. Ok, tudo bem. O cristianismo brasileiro faz uso exacerbado disso. Mas o cúmulo foi ele sugerir que as pessoas fizessem também o “sinal da cruz” a exemplo dos católicos, como se isso tivesse algum efeito sobre a vida de quem quer que seja.

O detalhe é que os apóstolos do primeiro século convocavam o povo da dita “igreja primitiva” a descartar o uso de símbolos, óleos, elementos ditos sagrados, e mirassem na pessoa de Jesus como exemplo de vida. Mas a sugestão de Kivitz – reitero, pessoa que admiro e ouço como importante pensador da atual espiritualidade – nem condiz com sua linha teológica ou de discurso. Pois sua pregação é que o Reino do Messias está aí disponível, não dependendo de nenhum apetrecho para ser acessado. Talvez seja um compromisso com a tradição das “cruzadas”. Não tive ainda a chance de perguntar.

É provável que você sinta falta de citações de versículos ou referências bíblicas. Elas estão aí. Vá procurar, vá estudar, vá encontrar. O exemplo do Messias é coisa para uma vida inteira. Não dá para ficar resumindo a versículos isolados ou ladainhas de efeito. É preciso conhecê-lo além do véu da letra e da religião. Mas vamos recapitular:

Daniel Alves teve uma atitude eliminando a banana e seguindo em frente com seu ofício.

A mensagem da cruz foi o “está consumado” de Jesus, não a cruz.

 

Categorias: Reino | Tags: , , , , , | Deixe um comentário

A IGREJA CONECTADA

A vida passa e você aí olhando pro celular

A vida passa e você aí olhando pro celular

Uma das grandes dificuldades da igreja desse século é manter a conexão sem o auxílio da religião. Ainda hoje, no século 21, as pessoas conseguem ‘sair da igreja’, ‘se desviarem’ ou ‘ficarem fracas na fé’, por conta no ciclo vicioso, autoritário e controlador dos métodos medievais que o cristianismo adotou e, como serve para controlar, não quer largar de jeito nenhum.
O impressionante é que a mensagem de Jesus tem o propósito exclusivo de libertar as pessoas do sistema religioso que controla, manipula, intermedia, dogmatiza, e sobre tudo, distancia grandemente o acesso direto com a vida que Deus prometeu, criou, manifestou tudo que precisamos e está disponível para todos. Sem a necessidade de absolutamente nada mirabolante, surreal, ‘sobrenatural’ ou fantasioso. Mas as pessoas aprenderam com esses subterfúgios e se recusam acreditar que pode ser tão simples e livre a todos.
Logo, o que vemos é: o indivíduo deixou de frequentar seu lindo e organizado grupinho ou sua grande instituição, acha que está no mundão. É oito ou oitenta. A religião o condicionou a vestir uma roupa de crente e outra de ‘mundano’. O sujeito aprendeu que para chegar a Deus precisa de um tipo de comportamento, uma aparência, um jeito de falar, com quem andar e essas de bobagens. Ele saiu da bolha religiosa, adota outro comportamento, linguagem, pensamento, achado que apenas aquela cartilhazinha que seguia, era o que o aproximava de Deus. Foi brutalmente enganado.
O engano continua quando as pessoas acham que é pelo fato de se reunir num grupo que não tem prédio, ela está livre da religiosidade. Tenho visto muita gente que está na praça ou na varanda, mas que sustenta os mesmos resquícios veterotestamentários incutido a partir das misturas de Constantino e o culto a Israel. Aquela aparência ‘descolada’, mas com véus mais grossos de pesados que os do Templo de Salomão (Hã?).
Por outro lado,há uma galera que entendeu que Jesus veio estabelecer um reino libertário individual, que leva ao respeito coletivo e o caminhar solidário, quando abandonam os templos institucionalizados e ficam de saco cheio desse blá blá blá todo, deixam de fazer circular o ‘Verbo’. Trocam a conexão relacional espiritual e humana pela navegação amebática, individualista, obtusa e cheia de si nas redes sociais.
O convite do Messias aos seus discípulos da liberdade é que mantenham a conexão. “Venha nós o teu Reino”, ou seja, renove todos os dias a mente do Cristo na minha mente, pois são mais palavras repetidas, é uma personalidade espiritual em formação constante. Esse é o “nem no templo, nem no monte” que ele disse. É o “orai sem cessar”. Mantenha a comunhão não importa onde esteja e o que você esteja fazendo. Isso vai te salvar dos abismos inevitáveis da vida.
Compartilhe com seus amigos. Repare como Jesus levava a vida. E olha que ele tinha uma missão com inicio meio e fim. Imagine se pudesse ter vivido uma vida com o mesmo ciclo que a nossa. Ele saia com os amigos, comia, bebia, frequentava as festas. Não recusava os convites pra conhecer outras pessoas. Se fosse hoje estaria nas exposições, nos piqueniques, cinema, bienais, parques, esbarrando com os irmãos e celebrando a vida naquela roda de pizza na sala de alguém, rindo de algum filme. Fortalecendo e sendo fortalecido.
O nosso desafio como discípulos desse Jesus que não criou o cristianismo ou qualquer outra religião, é deixar de ser guiados por telas e botões que vão nos afastando da comunhão pessoal e espiritual. É saber dosar tudo na vida. É manter a personalidade recebida quando você se descobriu filho do Deus vivo e não seguidor de uma religião. É conseguir manter a renovação diária do Reino de Deus que está dentro nós, praticando, vivendo, transmitindo, além de toda tradição e cultura que recebemos como sendo a linha guia da verdade.
Desligue-se dos Wi-Fi religiosos que está entranhado na sua cabeça e cultura. Tente também quando estiver com alguém ou com os amigos, desliga-se do mundo virtual. Celebre a vida. Fale com Deus; fale com quem você ama; converse com seus amigos; firme a igreja que é você e seus chegados; ensine uns aos outros. Vamos dar lugar ao “Espírito que nos guiará a toda verdade”.

Categorias: Relacionamento | Tags: , | 1 Comentário

DEVAGAR COM O ANDOR QUE FRANCISCO É DE BARRO

Francisco: devoto de roxo de Aparecida.

Francisco: devoto roxo da Aparecida.

É impressionante como o catolicismo romano conseguiu controlar governos, enriquecer os cofres do Vaticano, se estabelecer como religião oficial de Deus na Terra e durar séculos com prestígio, autoridade e respeito. Mesmo com todo mal que sujeitou a humanidade. Queimou pessoas; destruiu povos; fez e apoiou guerras; escravizou e lucrou com a escravidão; mentiu sobre os mandamentos bíblicos; não permitiu que, por séculos, as pessoas tivessem acesso aos livros cristãos; manipulou; extorquiu; surrupiou; controlou; matou, roubou e destruiu. Tudo em nome de Deus.

Joseph Ratzinger, o Bento XVI, com sua aparência severa, suas antigas ligações com o nazismo e suas posições antiquadas sobre sexualidade, direitos das mulheres e justiças sobre seus pares, os padres pedófilos, ainda representava uma igreja dura, pesada e autoritária. Por isso o mundo torcia o nariz, protestava, zombava e cada dia que passava o catolicismo ficava mais intragável.

Hora de frear. Repensar o futuro como religião. Só um fato do novo Papa escolher o nome “Francisco”, já esbanja a intenção católica em fazer isso. Uma das melhores análises sobre o Papa Francisco, já no início de seu pontificado, foi a de Nizan Guanaes:

“Francisco quer dizer coma moderadamente num mundo obeso. Francisco quer dizer beba com alegria num mundo que enfia a cara no poste. Francisco quer dizer consumo responsável em sociedades de governos e consumidores endividados. Francisco quer dizer o uso responsável do irmão ar, do irmão mar, do irmão vento e de todas as riquezas debaixo do irmão Sol e da irmã Lua.

Francisco é um freio de arrumação não só na Igreja Católica Apostólica Romana, mas na sociedade a quem ela deve guiar. “Marca, design, conduta, relações públicas, endomarketing, alinhamento interno: ‘habemus papa’.”

Bispo anglicano, José Moreno, faz outras observações a serem consideradas por quem é protestante:

“Não há dúvida que ele é diferente. Ele quer uma igreja pobre, próxima do povo; escandaliza-se ao ver padres e bispos locomovendo-se em carros suntuosos, último tipo. Está bem claro para todos que ele será um dos mais populares papas da história… Mas, um momento!

Os evangélicos vão se tornar devotos de Maria também? Pois Francisco é devotíssimo da bem-aventurada mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem os romanos chamam de “nossa Senhora”. A seu pedido, o roteiro da sua vinda ao Brasil foi modificado, para que ele fosse rezar em Aparecida perante a imagem da “nossa Senhora”.

Os evangélicos serão aceitos na eucaristia romana (ceia do Senhor)? E, se forem, aceitarão tranquilamente a doutrina da transubstanciação? Concordarão com o sacrifício da missa? Buscarão as indulgências? Participarão da “veneração” das imagens dos santos? Recorrerão à intercessão dos santos? Fugirão do purgatório?

Francisco é diferente – só que não, pois como papa ele é o chefe da Igreja que pratica todas essas – e outras – distorções do texto sagrado, o qual chamamos de Bíblia, nossa única regra de fé e prática.”

A verdade é que qualquer um que se diz seguir de Jesus, o Messias, e tente ser humilde, amoroso, corajoso para atitudes que quebre protocolos, que pense no próximo, não está fazendo nada demais. Está simplesmente fazendo o que tem que ser feito. Nós é que estamos tão acostumados a ver os líderes pomposos com luxo, em templos de outro, num distanciamento tão grande do povo, que, quando alguém baixa um pouco mais a bola, já ovacionamos o pondo no lugar do “jovem nazareno empoeirado”, Yeshua.

É preciso muita calma nessa hora. A religião foi por muitos séculos a que separou o homem do relacionamento direto com Deus. Ignorando totalmente a proposta de Jesus do acesso direto sem sacrifícios, sem véus dogmáticos, sem altares, sem intermediários. Todo aquele que crê recebe o poder se ser filho de Deus. Simples assim.

A menos que Francisco esteja disposto a deixar de ser, junto com sua religião pomposa, arbitrária e dominadora, o atravessador de Deus na Terra, continua sendo apenas mais um bom moço que representa algo com o passado muito medonho, e codificou Deus de uma forma que ninguém merece conhecê-lo.

Uma observação e uma pergunta:

Devagar com o andor que Francisco é de barro. Não é o representante de Deus na Terra mais do que qualquer homem precisa ser.

Habemus um Messias? Ou voltaremos os olhos novamente para uma estrutura religiosa falida, só porque alguém sorriu um pouco mais?

O Messias desconstruiu toda a estrutura, não passou nenhum verniz sobre a velha. Desconstruiu para nos construir como homens salvos e livres.

Categorias: religião | Tags: , , , , , | 6 Comentários

JOVEM BARBUDO QUEBRA TUDO E GANHA MILHARES DE SEGUIDORES

Ariovaldo free style revolution

Ariovaldo free style revolution: nas ruas

Ele estava revoltado. Pegaram todos os ensinamentos de organização social, respeito ao direito do próximo, conceito de nação e transformaram num grande sistema viciado de aproveitadores e opressores. E o que é pior, em nome de Deus. Sempre usavam Deus para justificar o autoritarismo, ou defender o engodo que travestiam de santidade e benevolência. Quando ele chegou ao monumental prédio histórico e viu gente se aproveitando do povo, cobrando caro, explorando, visando lucro, com a desculpa de estar facilitando as coisas para a cultura local. Pegou uma “arma branca” e saiu dando em todo mundo, derrubando mesas, xingando os safados, espalhando o dinheiro dos empresários, pastores e padres.  A multidão ficou maravilhada com seu conceito de justiça e liberdade. Os líderes estavam tentando jogar a opinião pública contra ele e o condená-lo a morte (Marcos 11:15-18).

Eu estava na passeata da “Eco 92”, em 1992, junto com todos os líderes cristãos famosos. Até o Caio Fábio estava “junto” dos bispos da IURD. Foi uma maravilha as canções, os cartazes, os discursos. Eu realmente achava que a gente iria se preocupar com sustentabilidade, organização comunitária, consciência e justiça social.

Percorri cidades organizando grupos, fazendo políticos cristãos e representando organizações beneficentes. Os grupos (e o povo) cristãos se mostram, assim como qualquer consumista brasileiro, só interessados em satisfazer seus próprios interesses: carros, casas, templos luxuosos e a fé que paga para “Deus trazer minha vitória”.  Os políticos cristãos se mostraram muito mais safados e corruptos que os antigos políticos, pois votavam sempre pelo aumento de seus salários, projetos de interesses de seus partidos e não do povo, aceitaram propinas, participaram de esquema, e, o que é pior, usando a igreja e o nome de Deus para isso. As organizações beneficentes desses grupos eram só “pra inglês” ver. Estilo dos políticos “rouba mais faz”. Não promovem qualidade de vida, mas sim, dá miséria a quem já está na miséria. O ciclo vicioso e controlador.

Esses anos todos e ainda tem gente achando que se tiver um cristão no poder tudo vai mudar. Senhores, qual é a religião do Sergio Cabral, Geraldo Alckmin, Marcos Feliciano, Bispo Carlos Rodrigues, Anthony Garotinho e todos outros? São cristãos! Católicos ou evangélicos. São cristãos. Vão à missa ou ao culto todos os domingos e durante a semana fazem parte da engrenagem perversa que oprime o povo sujando o nome de Jesus que é enfeite de suas religiões.

Estou nas ruas junto com a massa. E vocês papas, apóstolos, bispos, pastores, sacerdotes tiveram sua chance durante milhares de anos. O Jesus que vocês tentam arrancar toda indignação voraz que tinha, mandou um recado para gente de seu tipo em Mateus 23, vos chamando de hipócritas, cegos, insensatos, serpentes e raça de víboras. Pois só estão preocupados em explorar, fazer fiéis, dogmatizar, criar religiões, esquecendo que o Messias veio para trazer vida para todo o mundo e não para benefício da religião de vocês.

Jesus está nas ruas com cada um desses a quem ele disse: “Vocês terão aflições, será mó perrengue essa luta, mas avancem, lutem, resistam, Eu venci o mundo”. Onde estão os líderes que sairão de seus ternos, batinas, cercadinhos evangélicos, “avivamentos”, “correntes”, “unções proféticas” e irão seguir Jesus juntos das massas?

O povo clama por justiça e o maior líder mundial cristão vai gastar 1.13 bilhões dos cofres públicos brasileiros para fazer uma turnê promotora de sua religião. O povo clama por justiça e bispo Edir Macedo só se preocupa em aumentar o Ibope da Record para ganhar da Rede Globo e construir o tal “Templo de Salomão” à custa da exploração do povo e opressão de seus pastores, reduzindo salários e inventando todo tipo de coisa para arrecadação frenética. O povo clama por justiça e Marcos Feliciano só está preocupado em se promover perante aos radicais religiosos oprimindo quem ele, como pastor, teria que abraçar. O povo clama por justiça e os evangélicos não querem sair do seu mercado gospel de “promoção de bem estar espiritual”.

Jesus estava nas ruas. Sua causa era a da viúva, dos apedrejados, das prostitutas, dos leprosos, de gente que os religiosos e a sociedade queriam condenar e se livrar. Sua mensagem era clara: o meu reino de amor, vida e paz é para vocês pequeninos que tem fome e sede de justiça. Vocês serão fartos.

Revolucione: baixe e compartilhe o livro O Reino Perdido

Categorias: Confissões | Tags: , , , , , , , , , | Deixe um comentário

CARTA AOS MEUS AMIGOS GAYS

O lobo é o que não deixa você encontrar o Caminho

O lobo é quem não deixa você encontrar o Caminho

Há pelo menos três episódios que eu preciso compartilhar. Faz algum tempo, um amigo me pediu com voz chorosa que eu orasse por ele, pois havia terminado com seu namorado. Era a primeira vez que aquilo acontecia comigo. Quando estava respondendo que iria orar, ele mais que depressa disse: “Já sei, você vai dizer que é pecado”.  Eu disse que iria orar para que a vontade de Deus acontecesse, mas que iria ficar tudo bem.

Em outra ocasião fui fazer um som numa igreja, aquilo que os evangélicos chamam de “ministrar o louvor” do culto. Nesse dia circulava na imprensa uma notícia favorecendo a causa homossexual (como tem que ser chamado agora?). Na saída, um rapaz que eu conhecia me perguntou se o pastor havia dito alguma coisa sobre a notícia. Eu olhei meio surpreso e respondi que não. Pelo que conversamos rapidamente, parece que ele queria que a igreja evangélica dissesse algo como: a partir de agora nós vamos acatar a decisão judicial e aceitar melhor a relação dos homossexuais. Como isso não aconteceu, ele ficou bem decepcionado.

A última foi uma pessoa que, após começar namorar outra do mesmo sexo, me excluiu de sua rede social e me evitou. Eu mandei uma mensagem dizendo que independente de qualquer coisa em sua vida, eu a amava do jeito que ela era e vivia. Talvez por achar que sou envolvido com teologia, pregações, reunião de grupos e essas coisas ligadas normalmente ao cristianismo, fosse rechaçá-la, ou algo assim. Não iria.

Sendo um homem negro, eu sei o que é preconceito. Eu sei o que é ouvir piadinhas. Eu sei o que é ser o único daquele tipo num recinto. E se tem uma coisa que nunca ninguém vai entender, é o que você sente. Então, não se ofenda muito com isso. Siga enfrente com sua personalidade.

Não é todo mundo que sabe receber alguém diferente. Há pouco tempo tentei encontrar um emprego para um amigo que é todo tatuado. Foi muito difícil. Já ouvi de uma garota que eu era legal e tudo, mas não era do mesmo “biotipo” dela. Lembro na época da faculdade, quando um amigo, que era gay, vinha me cumprimentar me abraçando e me dando um beijo no rosto, com aquela barba toda espetada (Rs). Nem todo mundo recebe de bom grado. Alguns estão torcendo o nariz agora.

Os religiosos vão encontrar na Bíblia textos para condenar qualquer pessoa. Pretos, tatuados, funkeiros, roqueiros, bêbados, fisiculturistas, dançarinas, nerds, ricos, pobres, gays, lésbicas e simpatizantes. Então, não se preocupe com isso, pois o próprio Jesus disse que “a letra mata”. Vai te matar se você ficar preocupado com o julgamento de alguma pessoa que esteja usando a Bíblia para isso.

Você tem uma fé e a direciona a Deus, conhecido através de Jesus. Continue com essa fé sem se preocupar com o “cristianismo” que te condena e te acusa. Acredite, Jesus não criou essa religião e tem muito mais haver contigo do que com essa elite “super santa” de religiosos que querem ver mais gente no inferno do que no seu “céuzinho particular”.

Talvez você pergunte: mas Wil, como eu tenho que viver? Continue se voltando para Ele, pois Jesus disse que “o Espírito da verdade nos guiará a toda verdade” (João 16:13). Então, é o Espírito que vai te guiar, de orientar, dizer o que você precisa manter ou mudar, como Ele diz para qualquer um que o deseja.

Continue buscando a Deus. Em grupo ou sozinho. “Deus amou o mundo para TODO aquele que nele crê não pereça”. Todo. Entendeu? Então, não ouça as vozes que te condenam. O único que poderia te condenar, não o fez. Ele deu a própria vida para salvar a sua agora. Isso sem você depender de religião alguma.

O desafio para quem crê em Jesus, apesar desse cristianismo perverso que há séculos vem escravizando o povo, é arrancar de sua fé a roupagem dessa religião. Encontrar o Jesus que “deu, para aqueles que crêem no seu nome, o poder de serem chamados filhos de Deus” (João 1:12). Você não precisa de registro em cartório, em templos, ou outorgação de homem algum. A religião quer reter isso de você, mas não pode. A vida eterna é sua, sã e salva. Continue vivendo sua fé, pois você é amado por Deus.

W.Wil é  culpado de ter escrito  o romance:

“O Reino Perdido – A  versão subversiva…”

BAIXE O LIVRO AQUI

Categorias: Confissões | Tags: , | 5 Comentários

LIVRO COMPLETO LIBERADO GRATUITAMENTE

Lennon e Che: encontro histórico

Lennon e Che: encontro histórico

Texto da contracapa do livro:

O Reino Perdido é uma narrativa desconcertante, contra o cristianismo estelionatário que tem defraudado e privado a nação da poderosa e divina graça. W. Wil analisa, reflete, denuncia, mas também inspira e dialoga com aqueles que anseiam por Deus e não se rendem ao domínio de qualquer “intermediário” terreno. O protagonista dessa trajetória desbota o verniz arbitrário das instituições que, em nome de Deus, aliena a fé cega da população. Se esgueirando entre religião, dinheiro e poder, prevalece o desejo implacável de soprar a poeira que encobre certo Jesus de Nazaré, de um reino que talvez não esteja totalmente perdido.

Texto da orelha do livro:

O livro O Reino Perdido é a história intrigante de Eduardo. O cara abandona os estudos, sua banda de rock, namorada, tenta controlar seu cinismo e rebeldia e entrar de cabeça em uma das maiores instituições cristã do mundo. Ele acha que pode revolucionar; catequizar os povos e mudar tudo. Busca a manifestação real do reino de Deus e a redenção espiritual. Só não conta que talvez o Bispo, líder maior de sua igreja, tenha planos diferentes e mais importantes que os dele: construir um império terreno com suntuosas catedrais e uma poderosa rede de comunicação, para vencer a concorrência, manter o poder e receber toda glória digna de um rei. Não necessariamente Jesus Cristo.

Nessa trajetória de reflexões e disparos certeiros, qualquer semelhança com a realidade, talvez não seja mera coincidência. Arte e vida se imitam, reciclam e nos subvertem constrangedoramente.

BAIXE O LIVRO      CURTA A PÁGINA 

Categorias: O Livro | Tags: , , , | Deixe um comentário

BAIXE GRÁTIS O LIVRO “O REINO PERDIDO”

Subversão por tempo limitado

Subversão por tempo limitado

Baixe o livro     Curta a página

Categorias: O Livro | Tags: , , , | 3 Comentários

“O MUNDO É UM CIRCO, DEUS SÓ SE ESQUECEU DE COLOCAR A LONA”

Alguns palhaços não tem graça nenhuma

Alguns palhaços não tem graça nenhuma

Os últimos acontecimentos do cristianismo mundial foram emocionantes, revoltantes, extasiantes e estarrecedores. Não faltaram reações contrárias, a favor ou apáticas. Mas esse ano já está marcado na história como dos grandes acontecimentos históricos da Era Cristã. Não é a toa que muitos fiéis, ou nem tanto, para aliviar o estado de perplexidade, caíram na folia.  Recapitulemos.

Silas Malafaia foi motivo de verdadeiras rinhas religiosas no mundo virtual, nas vans que fazem lotação e nos botequins da esquina. Ele está na boca do povo como o pseudo defensor “os direitos da família contra a ditadura homossexual”; por ter saído na revista Forbes como um dos pastores mais ricos do mundo; e por sua entrevista polêmica no “De Frente com Gabi”, onde soltou impropérios do tipo “Está na Bíblia que pastor tem que ganhar bem”. Ficou irritado com a matéria da Forbes pois outro dia estava vendendo uma “benção profética” por R$1.000,00 em seu programa. Reclamou que poderia perder doadores. Mas chega de falar nele.

Joseph Alois Ratzing, mais conhecido como Bento XVI, renunciou o papado.  No mundo gente lamentando e agradecendo por tudo que o Papa fez. Agradecendo? Isso mesmo. Não sei o que, mas tem religioso para tudo. O fato é que o cargo com título de “Papa” não tem absolutamente nada de espiritual, e é de conhecimento público que Bento XVI só tomou essa decisão por conta de todas as artimanhas políticas que o envolvia. Pressionado pela Cúria, os problemas de pedofilia que vieram a toda em seu mandato, as revelações se seu mordomo, as rebeliões de grupos organizados e um monte de traidores no seu palácio que fariam Judas Iscariotes parecer um escoteiro.

Valdemiro Santiago, “apóstolo da Igreja Mundial”, além de também posar na Forbes como o segundo pastor mais rico do Brasil, na semana seguinte a matéria, aparece na TV vendendo um “tijolinho da obra de Deus” por R$200,00. Especula-se que com esse empreendimento, ele está tentando levantar mais 15 milhões para o montante que precisa para compra da Rede CNT.  Óleo de peroba para ele é muito pouco.

O Conexão Repórter do SBT, vasculhou um pouco da vida do pastor “metralhadora” Marcos Pereira, que teria construindo um pequeno império na Baixada Fluminense com ajuda do dinheiro do tráfico. O pastor ainda é acusado de abusos sexual, envolvimento criminoso com rebeliões e ter ordenado execuções. O mais interessante e grotesco, são as justificativas do pastor. Ele diz que se o traficante se converte e quiser purificar o dinheiro que ganhou no tráfico, é só dar a parte que é da igreja, então a outra parte está limpa, não é mais amaldiçoada. Ficou pasmo com tamanho argumento absurdo?  Mas o que ele realmente põe um nariz de palhaço em seus fiéis é quando diz que os abusos sexuais que cometeu foram “fraquezas da carne, tentações que todo líder passa”.  No quesito cara-de-pau ultrapassou Valdemiro. No quesito sacanagem, parece que andou fazendo cursinho com os padres pedófilos.

Agora sem dúvida alguma o individuo que mais contribuiu com a absurda história cristã recente, se chama Edir Macedo, conhecido pela alcunha de “bispo”.  Enquanto o país inteiro pranteava por causa do desastre em Santa Maira, RS, Macedo pega um texto de Êxodo 30:11-12, onde  fala de recenseamento, e usa como argumento para afirmar que se alguém der uma “oferta de sacrifício” por um outro alguém, este será salvo. Sim, esqueça esse papo de Jesus e seu sacrifício na cruz para salvar a humanidade. O bispo afirmou que é só dar uma “oferta de sacrifício” que salvará o familiar desejado. Bento XVI deve ter ficado muito feliz com ele, afinal “indulgencia” pela salvação foi a igreja católica medieval que criou. O mais chocante foi quando o bispo, nesse mesmo vídeo diz que “Os jovens naquela boate em Santa Maria morreram porque não tinha ninguém sacrificando uma oferta por eles”.  Quase vomitei em olhar para cara dele pronunciando isso.

Que o povo da IURD não está nem aí para qualquer declaração psicótica vinda de Macedo a gente sabe. Tanto que muitos estavam afirmando na página oficial do bispo no Facebook, que já haviam pego o envelope e iria sim participar do sacrifício para que não acontecesse a mesma coisa com seus parentes. Outros chegaram ao absurdo de afirmar que se esses jovens estivessem na “igreja” (templo), isso não teria acontecido.

Pois bem, tristemente, por esses dias, em um culto da IURD no continente africano, um acidente deixou vários mortos e feridos. Isso para o povo da Universal comprovar, dolorosa e infelizmente, que acidentes são coisas da vida, e não tem nada haver com o discurso manipulador que uns líderes utilizam.

Mas o bispo Edir Macedo é o mais sagaz dos espertalhões do discurso causa e efeito. Ele saiu naquela dita matéria da Forbes como o pastor mais rico do Brasil. Em um de seus cultos, trajando um terninho, corte de cabelo e gesticulação que o deixa muito parecido com o Sr. Burns dos Simpsons, ele enche a boca e diz “Eu não sou o pastor mais rico do Brasil. Sou o pastor mais rico do mundo”. Dá uma risada diabólica repetida vezes e é acompanhado por seus fieis que, hipnotizados, também riem.

Confesso que muito exaurido, meditando nessas coisas todas, me veio àquela frase na cabeça: “O mundo é um circo, Deus só se esqueceu de colocar a lona”. O que estava sentindo o autor dessa frase? É um sistema político, financeiro, religiosos desgraçado que riem de nossa cara todos os dias.  Eu sei que tem gente que gosta de ostentar aquele nariz de palhaço como protesto. Mas sinceramente será preciso mais que isso.

Talvez, quem sabe, roer todas as cordas, minar essas estruturas, e ver essa lona cair de vez.  Aí sim, vamos fazer história. Causar um impactante caos nesses engravatados inescrupulosos, e começar tudo do zero.  Então virá o começo de nossa verdadeira alegria e será a nossa força. Sem essa palhaçada que estão chamando de “cristianismo”.

PS.: Se alguém souber de quem é a frase do título, por favor me fale. Eu não consigo lembrar. 

Categorias: religião | Tags: , , , , , , , , , | 3 Comentários

BOCA DE DEUS EM OUTRAS PALAVRAS

Ariovaldo Jr. em mais uma de suas facetas.

Ariovaldo Jr. em mais uma de suas facetas.

“Cola comigo que a gente relaxa” (Mateus 11:28). Usei essa versão em uma mensagem que preguei pra galera em 2011. Onde fiquei sabendo? O certo para o autor e, principalmente, para o jornalista, é esconder suas fontes, mas vou abrir mais uma exceção hoje. É no blog “Trabalho Sujo” que há mais de dez anos fico sabendo das coisas primeiro. Alexandre Matias, hoje editor da revista Galileu, em março de 2011, linkou o twitter da Bíblia Freestyle, onde eu rolei de rir com pérolas como “Molecada, segura a onda. Fica de boa e reúne os sangue bão” (II Timóteo 2:22).  Como na “natureza nada se cria tudo se copia”, pensei logo, vou escrever essa versão, começando pelo Novo Testamento.

Em 2011 eu estava terminando o livro O Reino Perdido, e disciplina não é um dos meus fortes. Comentei com Helena sobre fazer a versão, ela achou legal. Um amigo meu disse que eu “estaria descendo o nível da galera que fala gíria e coloquial” e não acrescentaria muito. Mas o fato é que meu processo de produção é: penso um bom tempo num tema, remôo, construo, depois sento pra escrever. Logo, não tenho a disciplina de um Saramago, que todos os dias, chovesse ou fizesse sol, ele escrevia duas páginas.

Corta pra 2013. É de onde você menos espera é que surge o exemplo de dedicação e ousadia – calma, não é uma mensagem positivista emocional – que, sinceramente, pelo histórico do sujeito, não haveria como: “Pastor, analista de sistemas, palestrante desmotivacional, autor de três livros inacabados, marido preguiçoso, pai inexperiente, cristão buscando melhorar sua conduta e brasileiro que não desiste nunca”. Essa é a autoproclamação sobre si mesmo de Ariovaldo Carlos Jr. É o homem do momento nos anais cibernéticos, o cara que está reescrevendo a Bíblia na linguagem Freestyle. Ele me disse que também estava com essa ideia já faz algum tempo, e já haviam catado versões dele e publicaram no Twitter.

Ariovaldo é o pastor mais sacana, autentico e interessante que conheço. Bom, tendo eu vindo de uma formação de “super pastores”; de caras que “arrebentam”; que “crescem”; inviavelmente tenho interesse por gente que anda na contramão, no submundo ou leva uma vida subversiva. Ari é tudo isso. Seus posts no Twitter e no Facebook são de chorar de rir, ficar boquiaberto ou simplesmente pensar: era isso que eu queria escrever. Nem vou entrar em detalhes sobre as conversas que tive pessoalmente com ele. Vasculhe aí a vida do cara. Ele posta tudo não internet, não tem nada a esconder.

Dá uma olhada na versão dele para Mateus 12: 11-13: “Eu vim pra resolver o problema de quem tá zoado. Saca só: um cara tinha 100 amigos no Facebook. Aí um brigou e excluiu ele da lista de amigos. Se o cara é amigo de verdade, não faz sentido deixar a Timeline parada e ir lá conversar com quem que desistiu da amizade? Tenham certeza que quando a amizade for consertada, a alegria será maior do que pelos outros 99 amigos que nunca tiveram nenhuma treta. Deus também não quer que ninguém deixe de ser amigo dele.”

Muita gente tá curtindo demais a produção diária do Ari. Ansiosos pela a versão impressa, assim como o tão aguardado livro de sua autoria, o “666 Perguntas…”. Mas há os mais ortodoxos e puritanos se mordendo com isso. Dá uma olhada no conteúdo de um dos emails que ele já recebeu:

“Caro irmão.

Você não tem medo de colocar na boca do Senhor palavras que ele não disse ou deixar de lado o que ele queria dizer?

Cuidado. Que Deus te ilumine”.

Um dos objetivos da Missão Urbana é contextualizar a mensagem para os mais diferentes grupos, tribos, existentes nas cidades. Ariovaldo é autoridade nisso. Pode ser visto em várias partes do país palestrando, participando, compartilhando alguma forma de convivência da fé. Eu mesmo já esbarrei com ele umas vezes. Sua forma de viver “free” está refletida em sua versão do texto sagrado.

Tenho uma preocupação séria sobre como a geração presente irá conhecer o Jesus da Bíblia. Talvez por ser pai, e minha filha ter pelo menos três versões diferentes da Bíblia e a única que está terminando não é das mais ortodoxas, mas ela acha irada. Li uns trechos da Freestyle do Ari pra ela. Ainda não conseguiu deglutir direito.

Depois de um encontro que tive com Ariovaldo em Sampa, andei entrevistando esse pastor underground. Além do produto de nossos papos, estou com outras ideias pra alcançar as futuras gerações. Vou tratar de escrever e publicar logo, antes que o “ultra-pós-moderno-de-vanguarda” do Ari o faça. O cara tá a própria “boca de Deus”, só que em outras palavras. Bem mais moderninho.

Categorias: Achados | Tags: , , , | 2 Comentários

A RESPEITO DE COISAS QUE EU NÃO POSSO DEIXAR DE SABER

Talvez seu modelo seja uma caricatura do original

Talvez seu modelo seja uma caricatura do original

Você sabia que foi apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia, que traduzimos como igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões dos cristãos?

Sabia também que esse lugar de reuniões era uma casa, e não um templo, já que os templos cristãos surgiram apenas no século IV, após a conversão de Constantino?

Você sabia que os cristãos não chamavam seus lugares de reuniões de templos até pelo menos o século V?

Você sabia que o primeiro templo cristão começou a ser construído por Constantino, sob influência de sua mãe Helena, em 327 d.C., às custas de recursos públicos, e sua arquitetura seguia o modelo das basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos templos pagãos da Síria?

Você sabia que as basílicas cristãs foram construídas com uma plataforma elevada acima do nível da congregação e que no centro da plataforma figurava o altar, e à sua frente a cadeira do Bispo, que era chamada de cátedra?

Você sabia que o termo ex cathedra significa “desde o trono”, numa alusão ao trono do juiz romano, e, por conseguinte, era o lugar mais privilegiado e honroso do templo?

Você sabia que o Bispo pregava sentado, ex cathedra, numa posição em que o sol resplandecia em sua face enquanto ele falava à congregação, pois Constantino, mesmo após a sua conversão ao Cristianismo, jamais deixou de ser um adorador do deus sol?

Você sabia que o atual modelo hierárquico do Cristianismo, que distingue clero e laicato, teve origem e ou foi profundamente afetado pela arquitetura original dos templos do período Constantino?

Você sabia que Jesus não fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de história?

Você sabia que o que chamamos hoje de Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era de Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos?

Você sabia que é praticamente impossível saber a distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que edificaria a sua ekklesia e o que temos hoje como Cristianismo Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e Pseudopentecostal?

Você sabia que os primeiros cristãos se preocuparam em relatar as intenções originais de Jesus com vistas a estender seu movimento até os confins da terra?

Você sabia que este relato está registrado no Novo Testamento, mais precisamente nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos?

Você sabia que o terceiro evangelho, Evangelho Segundo Lucas, e o livro dos Atos deveriam formar no princípio uma só obra, que hoje chamaríamos de “História das origens cristãs”?

Você sabia que os livros foram separados quando os cristãos desejaram possuir os quatro evangelhos num mesmo códice, e que isso aconteceu por volta de 150 d.C.?

Você sabia que o título “Atos dos Apóstolos” surgiu nessa época, segundo costume da literatura helenística, que já possuía entre outros os “Atos de Anibal” e os “Atos de Alexandre”?

Nesse emaranhado de coisas que eu não sabia, três coisas eu sei:

A primeira é que a crítica que o mundo secular faz ao Cristianismo institucional tem sérios fundamentos, ou como disse Tony Campolo: “Os inimigos estão parcialmente certos”.

A segunda coisa que sei é que nesta Babel que vem se tornando o movimento evangélico brasileiro, está cada vez mais difícil identificar a essência do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor.

A terceira coisa que sei é que vale a pena perguntar aos primeiros cristãos o que eles entenderam a respeito de Jesus, sua mensagem, sua proposta de vida e suas intenções originais.

Vale a pena voltar à Bíblia. Não há outra fonte segura de informação e formação espiritual, senão a Bíblia Sagrada, especialmente o Novo Testamento.

Garimpado  sobriamente do  Ed René Kivitz

Categorias: Achados | Tags: , , , | Deixe um comentário

NÃO SE DESVIA DE UMA IDENTIDADE

Com o tempo, você continua sendo

Com o tempo, você continua sendo

Gilson Mastrorosa conta que certa vez estava numa sauna na Barra da Tijuca e um senhor teria perguntado “Vejo pelo sotaque que o jovem não é carioca, de onde o jovem é?”.  Ao que teria respondido, “Eu não sou de lugar nenhum, eu sou cidadão do reino de Deus!”. Conversa vai conversa vem, ele então perguntou ao distinto cavalheiro, “E o senhor, é de onde?”. O senhorzinho: “Eu achava que fosse carioca, mas agora, diante de sua declaração, eu já nem sei mais”.

Encontrar nossa identidade é uma tarefa árdua. Podemos fazer isso da maneira mais penosa possível. Até porque você não é, se descobre sendo. É a velha história: “Não sei quem descobriu a água, mas tenho certeza que não foi o peixe”. Normalmente mergulhado em algum tipo de sistema, dificilmente você consegue ter uma visão distanciada, com capacidade de analisar exatamente como suas ações o identificam, as características de seu comportamento e, a parte mais despercebida, a origem daquilo a qual você está enfurnado. Como por aqui tratamos de coisas sobre um reino perdido, vamos à espinha dorsal do nosso elemento de estudo: o cristianismo.

Por definição teológica, você pode ser muita coisa: católico romano, conservador protestante, pentecostal, ortodoxo oriental, protestante liberal, Anabatista, neopentecostal, evangélico, carismático, calvinista, luterano, metodista, emergente, pós-denominacional, e, se nenhuma dessas o aceitarem, “excluído”. Se você não aceitar nenhuma dessas, “desviado”.

Mesmo os caras que falam que não gostam de “crente”; que “igreja não é parede”; que Jesus não fundou o cristianismo; afirmam que é impossível professar uma fé sem está arraigado em uma comunidade cristã. Outros acham que isso tudo aqui é uma guerra e “o soldado precisa de um quartel” (hein?).

Todo grupo tem seu sistema de pratica de fé. Por mais que ele diga que não é uma religião. Tente não praticar exatamente como manda o líder. Tente fazer de forma individual. Tente por em prática o famoso “eu e Deus”. Você já será visto como “fora da visão”, indigesto, “pensa muito”, e provavelmente indesejado, pois controlá-lo não será mais possível. Não vai demorar muito, já que você está contrariando a religião e foi o jeito que você aprendeu a professar usa fé, se sentirá desviado. Muita culpa pode latejar em sua mente.

Jesus deu duas sugestões para resolver esse problema. A primeira foi dizer que nós não pertencíamos a nenhuma religião e sim a um reino maior, algo superior que nos tornava embaixadores aqui na Terra. Esse reino estava dentro de nós, fluiria por nós e transformaria nosso mundo.

A grande questão é que esse reino é despertado dentro de você. Há um “cair de escamas”; há um fluir interior; há uma conscientização gradual de quem você é; quem é seu rei; a que lugar você pertence; e qual é a melhor forma de proceder a sua vida com cidadão dessa classe.

Jesus sugere como isso se dá: “Quem ouve minha voz…”; “Minhas palavras são espírito e vida”; “Minhas ovelha ouvem a minha voz”; “É feliz o homem que guarda a palavra de Deus”. As escrituras afirmam que a fé vem pelo ouvir a palavra, já que a própria escritura diz que Jesus, o Messias, é a palavra.

Então qual é a proposta? Pertencer a um desses grupos citados ou se manter excluído ou desviado? A resposta de Jesus a pressão e loucura da religião é definitiva: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve.” Mt 11:28-30.

Na época de Jesus, os mestres tinham sua própria interpretação da “Lei” (Há algo familiar com nossas denominações e teologias). Esse calhamaço era conhecido como “jugo”. Os discípulos de cada mestre teriam que decorar e praticar esse “jugo”. Era cada vez mais pesado, legalista, torturante e distante da mensagem do reino dos Céus (Veja mais sobre isso no excelente livro e a série de vídeos Talmidim do Ed René Kivitz).

Jesus chega e diz que também tem seu julgo, mas é suave. Ele é um mestre manso e humilde de coração e isso não traz peso algum, é gostoso de aprender dessa forma, traz refrigério para alma. Então você aprendeu dele, e o próximo passo? A segunda sugestão depois de receber o reino: Faça mais um discípulo. Mas repare no jeito dele. Repare que são suaves seus ensinamentos, são “palavras que fazem a vida ser eterna”. O seu “fazer discípulo” não é industrial, não há uma forma para todos. Não é um “quartel” para formar soldados. É para formar seres humanos melhores, para que esses discipulem outros seres humanos.

O próximo passo agora? Vamos sair dos auditórios que igualam, formatam, nivelam e vamos para convivência que vivencia a humanidade de Jesus. Discípulos.

Categorias: Relacionamento | Tags: , , , , , | Deixe um comentário

“NÃO ADIANTA OCUPAR AS RUAS SE NÃO OCUPARMOS O SENTIMENTO DAS PESSOAS”

A decadência em volta e só está pensando em você?

Eu conheço muita gente magoada, desapontada, amargurada, decepcionada e descrente com seus antigos lideres. Os últimos tempos eu passei boa parte dos meus dias ouvindo esse pessoal. Muitos desabafaram, choraram, puseram pra fora aquilo que os afligiram durante seu processo de decepção. Descobriram que seu líder não era aquele super-homem que o cristianismo contemporâneo tenta vender. E mais, que este não tinha nem sombra da santidade exigida por ele próprio. A máscara caiu e o que as pessoas viram não agradou muito.

Conheço outros que estão irados. Sua decepção se transformou em raiva, ódio e fúria. Já ouvi esses também. O grande interesse por dinheiro que seus lideres apresentaram; o teatro do culto que “caiu o pano”; as heresias que só serviam pra entreter enquanto algo acontecia nos bastidores… Quando uma ficha cai, as outras vêem num efeito dominó medonho, e o fiel que se descobre enganado fica possesso dos “instintos mais primitivos”.

Outra classe que acabei dialogando também são os que se aprofundaram na história do cristianismo. O sujeito percebe que o cristianismo contemporâneo está errado porque contraria os séculos de história e os exemplos dos pais da igreja. Que metade das loucuras hoje pregadas não bate com as escrituras sagradas. Se aprofundar é um grande caminho para o conhecimento. O problema que acabei conhecendo muitos sínicos também. Que perderam toda pureza da comunhão por causa dos erros de falsos profetas, líderes infantis e instituições autoritárias.

Hoje, graças a Deus, não corremos o risco de irmos para fogueira, literalmente, se discordarmos com os rumos que a religião cristã tem tomado. Sei que a nossa tradição nos ensinou a “não tocar no ‘ungido’ de Deus”, por isso, vários líderes religiosos se aproveitam da passividade do povo para manipular contra quem pensa; se aproveitar financeiramente e enfiar goela a baixo sua “visão”. Afinal, quem poderá impedi-los?

Vale lembrar que Jesus foi formado na religião de seu tempo. Mateus 23 é um manifesto a situação de líderes religiosos e nossa ação diante deles. Jesus diz que eles ocupam o lugar que já foi de homens honrados. E se eles lêem a PALAVRA, ouçam isso. Mas suas vidas, imbróglios, religiosidade, regras morais e comportamentais falsas, devem se desprezadas. Eram líderes com autoridades constituídas acima de Jesus, no contexto hierárquico da religião judaica. Mas Jesus os chamou de “raça de víboras”, “hipócritas”, “cegos”, “sepulcros caiados” e “aproveitadores”.

Embora toda revolta do Messias contra os líderes religiosos, sua proposta de Reino era de uma transformação interior. Seu discurso em Mateus capítulo cinco é exatamente a convocação dos “mansos”, “pobres de espírito”, “humildes”, “famintos”, ou seja, os que tinham uma condição de contrição, de necessitado em seu interior. Para alcançar seu reino era necessário “ser como criança”. Mesmo para um líder conhecedor das escrituras como Nicodemos (Jo. 3:1), que reconheceu o chamado de Jesus e o louvou por isso. Mas o Messias disse que só seria possível receber, compreender, “pegar” a mensagem se ele nascesse novamente. Renovasse seu interior para ter um novo sentimento a respeito de tudo.

Percebemos passos interessantes em nossa caminhada na fé. É necessário conhecer a Deus profundamente através das escrituras. Esse conhecimento provavelmente revelará a verdadeira face de falsos mestres de nossos tempos. Assim como Jesus, não iremos nos silenciar a respeito deles. Talvez nem iremos nos privar de sentar a mesa com esses, como Jesus fez, mas a exemplo dele, também não vamos fazer política de boa vizinhança, a verdade precisa se dita. Mesmo que num tom sereno, mas firme e penetrante. Porém, a nossa libertação dada pelo conhecer da verdade, não pode nos destruir por dentro. Isso nos lança diretamente a o citado texto de Mateus capítulo cinco.

Para que algo aconteça, para que haja uma mudança no corpo de pessoas chamado igreja, é necessário antes de tudo que nosso coração esteja limpo de toda e qualquer ferida aberta pela religião cristã. Vamos chorar por essa igreja e seremos consolados; oferecer nossa misericórdia e tentar compreender a situação de quem é menino na fé; tentar ser mais manso possível, pois no Brasil, lutar por uma causa é sinônimo de ser “rebelde”; mostrar pelo que temos fome e seremos fartos; manter nossas comunhões bem pobres de espírito e será nosso o Reino de Deus.

A frase título desse texto é de Marcelo Yuka. Compositor, músico e ativista carioca que levou seu amor pelas pessoas a ultimas conseqüências. Tentou ajudar alguém a se livrar de um assalto, foi baleado e ficou tetraplégico. Foi expulso da banda O Rappa, passou a viver com menos e com várias dificuldades. Mas continua na luta, firme e forte.

Às vezes algumas ações, mesmo com toda pureza da alma, pode nos deixar feridos, nos levar a perder muito na vida. Não sei o que move seu coração neste mundo egoísta, onde a vida com Deus é apresentada somente como sinônimo de benefícios pessoais; mas há pessoas que irão depender a sua fé, seu amor, seu conhecimento e sua vida. Afinal, um jovem galileu morreu  defendendo que a ideia de Deus é que todos tenham abundância de vida.

Aprendi que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar”, então, desocupe seu interior, deixe um sentimento de amor tomar conta do seu coração.

Categorias: Confissões | Tags: , , , | 1 Comentário

O QUE VOCÊ NÃO ESTÁ PREPARADO PARA OUVIR

Você precisar ter coragem para ouvir, refletir e falar

De tudo que não sinto falta na experiência do cristianismo institucional (e a lista só tende a aumentar) há três ou quatro coisas cuja mera lembrança me leva o estômago a recuar em sincera repulsa. Tanto depois, hesito mesmo mencioná-las.

Aqui está uma: estar numa sala com um ou mais líderes, conversando livremente sobre qualquer assunto, até que alguém interrompe uma pausa com um suspiro e uma observação:

– Mas o povo não está preparado para ouvir isso.

Ou às vezes, com pureza ainda mais declarada de coração:

– Pena que o povo não está preparado para ouvir isso.

Nessa única frase e no silêncio solidário que a acompanhava nos congratulávamos por sermos naquela sala líderes esclarecidos tratando de assuntos controversos que uma parcela dos nossos ouvintes potenciais – dentre eles talvez você, potencialmente imaturo leitor, – não considerávamos pronta para enfrentar. Desejávamos que fosse diferente; queríamos muito que você fosse um cara maduro e que não corresse o risco de desmoronar diante do que teríamos para revelar. Mas a realidade era dura e determinadas coisas sentíamo-nos heroicamente obrigados a calar. Para poupar você.

Testemunhei esta cena tantas vezes, em tantos contextos com tantos protagonistas diferentes, que tenho de concluir que pelo menos metade dos líderes e pastores de todos os matizes (e isso para mencionar só a porção evangélica do cristianismo) propaga e endossa publicamente uma versão menos controversa da sua crença do que aquela que realmente abraça, e escondem essa falsidade ideológica por trás da conveniente piedade de estarem protegendo da confusão e da apostasia a porção mais despreparada (e, supõe-se, mais numerosa) do seu rebanho.

Naturalmente ninguém é obrigado a propagar aos quatro ventos aquilo em que realmente crê; eu mesmo deixei de fazer isso há muito tempo. Mas esses são caras que fizeram de propagar a sua fé a sua vocação e o seu modo de vida; são sujeitos que afirmam que o destino de cada um, inclusive o deles mesmos, depende de se abraçar e de se professar de modo sincero e consistente aquilo em que se crê. E o meu testemunho é este: grande parte desses caras (talvez a maioria) sonega da sua pregação pública aquilo em que realmente acredita. Alegam estar protegendo os mais fracos da controvérsia e da perplexidade, mas nisso protegem apenas a si mesmos. Porque, graças a Deus, o povo não está preparado para ouvir, então ninguém deve dizer.

Na prática isso quer dizer que muitos pastores e líderes estão deixando de partilhar informações, convicções e dúvidas que poderiam se mostrar grandemente libertadoras para pelo menos parte de seus ouvintes. E o fazem protegidos pelo álibi da melhor das intenções.

Para trazer à memória um exemplo espetacular dessa mentalidade, basta lembrar (e que seja entre nós a última vez) a omissão dos três últimos capítulos na edição brasileira de Culpa e graça, de Paul Tournier. Como ficou provado, a porção mais controversa, menos ortodoxa e mais libertadora do livro foi sumariamente sonegada dos leitores brasileiros – isso, porque, sem margem de dúvida, algum punhado de líderes decidiu muito piedosamente que aquilo “o povo não estava preparado para ouvir”.

Renira Cirelli, que foi com sua irmã gêmea uma das tradutoras originais do livro, mandou-me um email alguns dias depois de ler meu artigo sobre o assunto. Sua mensagem, da qual cito a seguir alguns parágrafos, fornece confirmação para uma história que já não se requeria grande esforço para reconstruir:

Brabo,

Que pena [que você não me contatou antes de escrever sobre o assunto]! Você ficaria conhecendo toda a verdade de uma testemunha ocular, auditiva e dinossáurica desde os idos de 1975 a 76. Isso mesmo, foi quando entreguei a versão completíssima nas mãos dos responsáveis pela Editora da ABU na época.

Demoraram dez anos para editar e publicar! Fizeram modificações na tradução, não mantiveram o estilo coloquial do Paul Tournier e cortaram os três últimos capítulos por acharem que a ABU seria hostilizada e estigmatizada como universalista.

Entregamos todos os 24 capítulos; não recebemos quase nada pelo trabalho (fizemos mesmo como missão), mas ficamos apaixonadas pelo Paul Tournier (ainda traduzi outra obra dele muitos anos depois). Fiquei muito brava com todos, porque só então descobri que cortariam os três últimos capítulos. Lembro-me como se fosse hoje do diálogo que mantivemos, eu em pé, vinda de ônibus, com um bloco imenso de folhas sulfite datilografadas nas mãos:

“Mas gente, o livro vai ter 18 capítulos sobre culpa e só 3 sobre graça! Vocês já vão alterar bastante o título original. Cada um que leia tudo e tenha seu próprio discernimento. Escrevam uma linha dizendo que a editora não se responsabiliza pelas ideias do autor, sei lá… isso não está certo!”

Voz vencida, mera serviçal do Reino… ainda fiz a tradução e versão das várias cartas daqui pra lá e de lá para cá (entre ABU eDelachaux & Niestlé, na Suíça). As cartas solicitavam a permissão da editora e do autor para serem retirados os três últimos capítulos. Eles concederam a permissão sem muita dificuldade.

Foi só desse modo, com seu conteúdo mais controverso devidamente represado, que o Culpa e graça chegou ao mercado e ao leitor brasileiro. Foi só desse modo que chegou às minhas mãos, talvez às suas: depois que gente mais iluminada do que nós certificou-se que só restava no volume impresso o que estávamos preparados para ouvir.

Culpa e graça foi publicado em 1985, mas fato é que – terceiro milênio adentro – estamos longe de abandonar a mentalidade que levou à mutilação do seu texto, porque ela é alimentada pela nossa própria obsessão em infantilizar e sermos infantilizados. A questão de meses eu conversava com um editor cristão que se via diante de dilema semelhante (e de tentação semelhante) com relação à publicação da tradução de um autor contemporâneo – e tratava-se de um texto em grande parte mais ortodoxo do que o de Tournier.

Ainda resta, e em todos nós, a tentação piedosa de censurar. John Stott era reconhecidamente conservador, mas opinou publicamente que o relato da criação em seis dias não deve ser tomado literalmente, e que o ser humano evoluiu a partir de formas de vida menos sofisticadas. Talvez você compartilhe dessa mesma convicção – mas concordará que essa é uma opinião que “o povo” está “preparado para ouvir”?

Parte do problema, naturalmente, está na importânciaexcessiva doentia que atribuímos à opinião de pastores e líderes – para grande proveito deles, mas com a nossa conivência. É como se, se seu pastor por acaso se declarasse à favor da união entre homossexuais, você mesmo fosse obrigado a concordar com ele – ou a se casar com ele. Como se, se seu líder opinasse que a virgindade de Maria não deve ser entendida literalmente, você devesse imediatamente deixar de se ajoelhar diante de Jesus. Porque, em grande parte, estamos ligados à liderança deles de modo tão infantil que essas reações não seriam tão absurdas quanto parecem. Desprezamos os dogmas do catolicismo, mas apenas porque encontramos em nossos líderes e ortodoxias substitutos à mão.

A própria noção de pastores e líderes requerem que eles sejam mais ou menos infalíveis, e portanto pouco controversos. Além disso, e como observa meu amigo Ivan, ninguém vai querer servir-se de um líder que não se deixe manipular; se os líderes forem sempre sinceros e honestos serão sempre imprevisíveis – isto é, permanecerão inúteis para fins políticos. Em todos os casos, será menos custoso para todo mundo se eles deixarem de dizer o que realmente pensam. Mas a contrapartida é evidente: esse pacto de silêncio acaba apenas perpetuando a infantilidade que o impulsiona e patrocina. Dito mais claramente: enquanto não ouvirem determinadas opiniões, as pessoas jamais estarão preparadas para ouvi-las.

No fim das contas o que você não está preparado para ouvir talvez seja justamente isso: que o seu líder pode estar sonegando de você não só as convicções dele, mas as dúvidas dele – e isso quando por vezes basta uma dúvida compartilhada para promover uma verdadeira libertação. Por vezes a certeza de que mais desesperadamente carecemos é a de não estarmos sozinhos em nossas incertezas.

Um pastor que conheço bem certa vez alertou uma ovelha sua a meu respeito: “O Paulo é gente boa; só cuidado com o que ele escreve”. O sujeito achou aquilo adorável e veio me contar. Tive de alertar eu mesmo: “Seu pastor é muito gente boa; só cuidado com o que ele não escreve“.

O sujeito foi embora devidamente deliciado, e fiquei sozinho matutando o que Jesus teria dito se só tivesse dito o que estaríamos preparados para ouvir.

Surrupiado  preguiçosamente  de Paulo Brabo em 22.08.11

[volto a escrever assim que fizer sentido postar;  são assuntos

que nos deixam muito enojados com esse cristianismo atual.

Mas alguém tem que mexer, nem que isso faça levantar o fedor ]

Categorias: Achados | Tags: , , , , | Deixe um comentário

MINISTÉRIOS FRACASSADOS

O formato de sucesso desse mundo é o mesmo de Deus?

 

O documentário abaixo, produzido por Yago Martins, aborda a questão do sucesso segundo o mundo contra o sucesso

segundo Deus – uma mensagem tão importante nos tempos megalomaníacos de hoje.

Fonte: Yago Martins

Categorias: vídeos | Tags: , , , , | Deixe um comentário

“METADE DO SEU DINHEIRO É PARA O PASTOR”

Espantado ou com nojo da manipulação?

Um colega meu ficou revoltado quando soube que o líder de sua igreja ganhava R$40.000,00 de salário mensal. Ele, formado, com uma boa profissão, trabalhava demais para sustentar a condição de uma família de classe média. “Não vou ficar dando meu dinheiro pra pastor andar de carro importado, viajando pra Miami e levando vida de playboy”. Disparou enfurecido.

Em uma de suas pregações, Silas Malafaia usou Gálatas 6:6 (O que está sendo instruído na palavra partilhe todas as coisas boas com quem o instrui – NVI), para criticar quem fala mal do salário alto do pastor. “Está na bíblia, no Novo Testamento, que você tem que repartir metade do que ganha com o quem te instrui na palavra, ou seja, o seu pastor”. Arguiu ele firmemente.

Trocando informações de pregadores com um amigo chegado, ele me falou de um pastor que pregava muito sobre reino e graça. Entrei no site, e pensei em acompanhar uma série sobre a fé. No primeiro vídeo o simpático pastor já soltou: “Coloca um propósito firme no seu coração de ser fiel a Deus esse ano todo em seus dízimos e em suas ofertas.  E seja generoso, não dê qualquer coisa”. É claro que não assisti aos outros vídeos.

O problema desses pastores sãos dois. Primeiro entraram em um ciclo vicioso de comprometimentos com prédios mais bonitos que os da concorrência; conforto para atrair mais fiéis; como num shopping, departamentos para por as crianças enquanto os pais ficam tranqüilos para receber a “visão”; mais e mais franquias, pois “templo é dinheiro”.  Segundo é que gostam do que o capitalismo oferece. Amam os ternos Armani, os sapatos de pelica, os relógios de ouro, carros importados, tecnologia de ponta, viagens internacionais, hotéis cinco estrelas, e tudo o que o consumismo possa oferecer para si, sua mulher perua e suas crianças mimadas.

Eles precisam do seu dinheiro. Tudo isso custa caro. Viver segundo o que dita esse mundo é muito caro. Pensa que é fácil disputar membros na Barra da Tijuca, Santo André, Goiânia ou na região da Pampulha? Tem que investir muito. Pensa que é fácil ficar parecido com um ungido próspero que começou do nada, mais hoje tem um império? Tem que se entregar ao consumismo para ter a aparência capitalista adequada.

Tudo isso obriga esses pastores a jogar para debaixo do tapete coisas como “A graça é de graça”; tudo prometido nas escrituras já “está consumado”; “todas as bênçãos das regiões celestiais” já são suas. Então não sou obrigado a dar um centavo em igreja alguma? Não, não é!  Mas se eu quiser ajudar graciosamente? Aí é outra coisa. Paulo, o apostolo, quando o pessoal enviava ajuda ele usava para manter seu ministério. Quando isso não acontecia, ele voltava a trabalhar. Você pode ver seus agradecimentos, exortações nas cartas. Mas seu pastor vive igual a Paulo ou a qualquer outro pregador do novo testamento?

“Mas os pastores não obrigam”. Claro que obrigam. Usam dois argumentos. Primeiro é que se não for fiel o “gafanhoto”, “o devorador” e toda sorte de males vão pegar seu dinheiro. Deus é sinistro, tá pensando o que? Se não der Ele te amaldiçoa. Citam o Antigo Testamento todo se precisar. Você precisa dar seu dinheiro nem que seja com medo.

Segundo, eles usam sua ganância. É claro que você quer ter o que o capitalismo te vende. Estudar, trabalhar, fazer concurso, isso tudo dá trabalho. E você não acredita no que Deus já determinou para todo homem sobre a face da terra, sobre trabalho e o fruto dele. Talvez acredite, pelos seus pastores, que dá para manipular Deus sobre algo que você queira. Talvez se der mais dinheiro, for mais fiel, ir a mais cultos, sacrificar um pouco mais, conseguirá manipular as mãos de Deus para que te dê o que todo mundo quer, mas dá pra chegar na frente com a ajuda de seu dinheiro. Seu pastor usa a bíblia para te convencer disso. Diz que você pode cobrar que vai dar certo.

A grande verdade é que talvez você ame sua comunidade, as pessoas, cantar, as atividades, então se sujeita a pressão. Se alguma coisa ruim acontece em casa ou no trabalho, vêm logo as palavras de condenação ouvidas nos púlpitos. Não lembra que “o sol nasce para o justo e para o injusto” e que “no mundo tereis aflições mas tendes bom ânimo”. O que sobra é o medo, a manipulação, a alienação religiosa. Então, coagido você acaba cedendo. Faz um esforço para crer naquilo tudo e pensa: “vou olhar pra Deus”. Mas está preso a um sistema religioso, covarde, estelionatário, que não entra no reino e nem deixa você entrar. Fuja deles!

Se todos se conscientizassem de que o Deus que cuida bem de lírios nos campos e passarinhos sabe cuidar dos seus filhos, é bem possível que não sustentássemos mais essa quadrilha nefasta que usa e abusa do nome de Deus em beneficio próprio, para ter poder e manter seus nomes na história construindo templos, fazendo políticos e comprando espaços na TV.

Releia os evangelhos, experimente não participar de nenhum tipo de manipulação, apresente sua sinceridade a Deus, abra os olhos, reflita, releia, e veja o que acontece. Deus é maravilhoso. Não há quem possa liberar benção sobre sua vida, pois Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. A Graça de Deus já foi dada gratuitamente, você não precisa mais pagar. Experimente isso.

 

Nota:  vale a pena  ver  os links    “pregações”,  “dízimos” e  “império”

Categorias: Consumo | Tags: , , , | 2 Comentários

O REINO PERDIDO EM SÃO PAULO

Convide você também: wildoreino@gmail.com

Categorias: O Livro | Tags: , , , , | Deixe um comentário

OCCUPY E DESOCUPE

Desocupe a mente pra ser renovada

Occupy Wall Street foi um movimento de protesto contra a desigualdade social e econômica, contra o sistema financeiro maléfico dos Estados Unidos. Começou no distrito de Manhattan, onde milhares de pessoas ocuparam a praça publica por um período de dois meses. Todas as causas sociais estavam lá, e por um momento todos os problemas do mundo tinham um lugar para escoar seus gritos. Foi um movimento incrível.

O Desocupe como o próprio nome sugere, é uma contemplação para quem fez o movimento contrário, desocupou o sistema. Todo sistema financeiro, capitalista, social, é regido pela religião. Todos os homens que fazem parte do sistema controlador, de segregação e exclusão, são religiosos. Por isso, mesmo vivendo em países democráticos temos uma falsa liberdade de pensamento, pois não há onde o tráfego de ideias encontrar abrigo.

O PROBLEMA

A religião cristã difundida no Brasil vem de uma herança católica de templos; sacrifícios; ritual velho testamental misturado a pagãos; submissão venerada a homens; repreensão violenta a contestação e questionamento; dogmatismo manipulador; tradicionalismo sem relevância e moralismo hipócrita absoluto.

Como se não bastasse, o cristianismo pentecostal abraçou de maneira ferrenha o capitalismo, com promessas de riquezas em troca de perseverança em assiduidade e sacrifício financeiro. Junte isso a adaptações estrangeiras apontadas como “nova visão” ou “nova unção”, tem-se, como em qualquer outra religião, um prato cheio para o fanatismo inicial e posteriormente o desapontamento total.

O problema maior é o fiel achar que Deus se resume ao modo que sua religião atua. Pior, é passar batido pelos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, e reduzir Jesus a um nome que chancela tudo isso que foi citado, e tem obrigação de atender a ações de manipulação ensinada pelos líderes religiosos.

CONSEQUÊNCIA

Há muita gente, apontada com “desviada” pelas instituições, que não quem mais saber de nenhuma igreja.

Há outros que buscaram o evangelho de Jesus, entenderam que não é o que a religião apresenta, e professam sua fé, porém sem querer relacionar-se com uma instituição.

Acredite, como o movimento de ilusão inicial das igrejas é muito grande, principalmente com jovens incautos, a debandada geral também acontece com o mesmo fervor. Há muitos que não suportam mais o peso da religião cristã no Brasil. O Desocupe existe para essas pessoas.

IDEIA

Desocupe Missões Humanas é um contraponto reflexivo, espiritual e social aos que não querem mais ser regidos pelo sistema religioso. Objetivo é comunicar o reino de Deus como ideia de transformação pessoal, espiritual e social.

Está sendo formadas redes de encontros e diálogos para compartilhar as ideias de Jesus sobre reino, amor ao próximo e posicionamento diante da sociedade.

+1

Quem quiser pode aderir de várias formas:

Já é possível compartilhar as reflexões e imagens na fanpage do Facebook.

Entrar no grupo virtual de atualização de mensagens.

Comparecer a um DESOCUPE ENCONTROS -papo+espiritualidade+sons

Marcar um DESOCUPE ENCONTROS em sua cidade ou bairro, para receber nosso material e compartilharmos experiências e comunhão.

O site já está ficando pronto. Será um sítio contendo material reflexivo em textos, vídeos e imagens. Sugestões de livros, exemplo de lideranças que possuem a vivência da fé dissociada da religiosidade, eventos culturais, ajuntamentos underground e nossas intervenções urbanas.

O Reino de Deus é uma nova ideia que pode transformar uma pessoa ou uma sociedade inteira. A liberdade do amor e da graça contida na mente renovada pelo Verbo vivo é além do franqueamento religioso.

Há muitas pessoas com culpa, solidão, rancor, desapontamentos, com a esperança de que Deus realmente seja amor. Não há fórmulas mágicas. Mas, acreditamos que, se os que conseguem viver fora da prisão religiosa, mantendo uma espiritualidade pessoal, mantiverem comunhão com outros que também conseguem, mostrarão aos que se desiludiram que há fé, há vida além da imposição e nivelação institucional; que Jesus é mais do que a tradição ou as invenções teatrais. Será possível fortalecermos uns aos outros.

Onde estiver dois ou mais, ali seremos +1.

Categorias: Reino | Tags: , , | 1 Comentário

EU SOFRO COM O PASTOR QUE MERGULHA NO ESGOTO

Que Jesus está saindo de sua boca?

Acabo de sentir um dos piores sentimentos que ser o humano pode sentir: pena. É a segunda vez essa semana que sou alvejado por isso. Estava assistindo o vídeo de um pastor da Igreja Mundial mergulhando no esgoto para que acontecessem milagres na vida do povo. Segundo ele, repetia o evento bíblico ocorrido com Naamã, quando o profeta Eliseu mandou que este mergulhasse no Rio Jordão por conta de sua lepra.

Senti muita pena desse rapaz. Pelas redes sociais e blogosfera, o apontava como analfabeto, pobre e idiota por estar fazendo isso – enquanto seu líder anda de jatinho, vive bem, tem propriedades – por não conseguir sobreviver fora da igreja, sem emprego, é capaz de qualquer maluquice para entreter o povo.

Rapazes como ele, não aprenderam nada sobre o que Jesus veio fazer na terra. Jesus não mandou abrir e nem abriu um templo; não mandou fazer um sacrifício financeiro ou de animais; não mandou praticar nenhum ritual judaico; muito menos disse que o trabalho de seus discípulos era conseguir bênçãos materiais ou de qualquer outra natureza para o povo.

Senti pena de uma senhora. Ela com a vida sofrida, cheia de percalços pessoais, afundada num mecanismo de religiosidade que estava sugando toda sua existência. Mas estava contando vantagem, porque uma corrente de prosperidade de sua igreja está lotando, o líder maior de sua instituição está vendendo muitos livros e esbravejou dizendo que a rejeição política que o povo tem em relação ao nome de sua igreja, é inveja. Eles, os líderes, continuam “arrebentando”.

Confesso, não consegui dizer nada. Só segurei a imensa vontade de chorar. Tal como fiz agora, assistindo o vídeo desse rapaz. O que me entristece é saber que os homens que poderiam pregar o evangelho, de verdade, não o fazem. Acorrentam essas pessoas aos seus sistemas, e essas acham que Jesus é isso.

Dois tipos de pessoas são criados (não vou citar as outras): as miseráveis que correm com a ”cenoura da benção“ amarrada em sua frente; e as individualistas, egocêntricas, que pensam que Jesus é o maitre de um restaurante de prosperidade e que precisa arrumar o melhor lugar para elas se acomodarem e se exibirem.

Eu não sei quantos milhares de pessoas estão agora nesse mundinho religioso de revelações, correntes e campanhas para sua vida mudar. Não aprendem o que é reino de Deus. Não sabem nada da graça e muito menos quem é o Jesus dos evangelhos.

Uma dica preciosa, que todos podem descobrir lendo os quatro evangelhos, despojados da ”visão“ da sua igreja ou sem a interpretação dos seus pastores, bispos e apóstolos: é que o reino de Deus veio para consumar tudo.

Jesus chegou e disse: vocês ainda estão competindo poderes? Vocês ainda estão preocupados com o que comer ou vestir? Vocês ainda estão preocupados com templos, rituais litúrgicos engessados? Vocês ainda estão preocupados com o pecado e o diabo? Vocês ainda estão preocupados em ajuntar para si ao invés de compartilhar? Vocês estão preocupados com sua própria vida e perdendo-a? Preciso dizer a vocês que O REINO DE DEUS CHEGOU!

Todas essas coisas que existiam antes de Jesus e que os incautos – como esse pastor do vídeo – aprendem como sendo verdadeiro agora, já era. Já passou. Em Jesus está a vida do reino dos Céus, que chega a Terra em nós, para nós e através de nós. O “está consumado” existe para que não precisemos sentir pena de ninguém mergulhando no rio de fezes, enriquecendo alguém pela fé ou segurando uma corda no Círio de Nazaré.

Precisamos dizer aos poderosos desse mundo que o reino de Deus chegou. Há outro poder agora. Há um novo governo e que eles não podem mais fazer os “pequeninos” desse reino viver escravizados e dignos de pena.

Você também está com fome e sede de justiça? Então seremos fartos (Mt 5:6).

Categorias: religião | Tags: , , , | 2 Comentários

IGREJA MUNDIAL E O MERGULHO NO ESGOTO

Categorias: vídeos | Tags: , , | Deixe um comentário

OS CRITÉRIOS DO AMOR

Você está amando como?

Este é um mundo de retribuição, em que ninguém ama quem não tem nada a oferecer. Quem são nossos favoritos? Os notáveis, os talentosos, os destacados, os fluentes, os bonitos, os ricos, os famosos, os sábios, os espirituais, os afinados, os inteligentes, os que lembram-se do nosso nome. Quanto mais admiráveis nos parecerem as qualidades de alguém, mais naturalmente — mais inevitavelmente — essa pessoa parecerá merecedora do nosso amor.

Nossa tendência mais natural é amarmos as pessoas pelo que são capazes de fazer, seja essa capacidade efetiva ou potencial. Nisso consiste o que chamo de Lei Crua do Amor: não amamos as pessoas, amamos as suas competências.

Com raras exceções, a Lei Crua do Amor rege todos os nossos relacionamentos e afeições. Sei muito bem aqueles que me sinto tentado a amar: os virtuosos, os compassivos, os articulados, os bonitos, os fluentes, os criativos, os destemidos, os galantes, os que sabem dançar, os indomáveis, os modestos, os heróis que não conhecem o seu próprio valor. São essas as competências que estão no topo da minha lista, mas cada pessoa estabelece o seu próprio critério de seleção. O que temos todos em comum é a tendência de amar aqueles que demonstram ter as competências que admiramos.

A Lei Crua do Amor:
Não amamos as pessoas,
amamos as suas competências.

A Lei Crua do Amor determina ainda o modo como estimamos o nosso próprio papel num relacionamento — nosso valor. É por isso que tememos tanto a doença e a velhice, porque sabemos que estão à espreita, esperando o momento de arrancar de nós as competências que nos são mais caras, aquelas ao redor das quais construímos nossa identidade. Os primeiros sinais bastarão para nos colocar em parafuso: a primeira falha de memória, a primeira barbeiragem no trânsito, a primeira incontinência urinária, a primeira desafinada, a primeira queda de cabelo.

Por que tememos dessa forma a perda das nossas competências? Acontece que sabemos muito bem que as competências dos outros determinam em grande parte nossa afeição por eles. Intuímos, pela natureza inclemente dos nossos próprios critérios, que a perda de uma competência fará com que nos tornemos menos atraentes e menos dignos de amor aos olhos dos outros.

Aqueles que não têm alguma competência para oferecer — os feios, os desajeitados, os que não sabem cantar, os que não sabem falar, os que não sabem escrever, os que não sabem jogar bola, os que não sabem agradar — intuem, por sua vez, que nunca serão amados de forma unânime e intensa como os notáveis. Não têm competências em grau ou quantidade suficientes para merecerem o nosso amor, e sabem disso.

Jesus viveu, naturalmente, para denunciar a Lei Crua do Amor. Ele convidava, de forma singela, a que adotássemos um novo e notável critério, que é, incrivelmente, a ausência de qualquer critério.

A mensagem de Jesus deixa claro, em primeiro lugar, que na perspectiva de Deus, na perspectiva do universo, as competências que tanto celebramos e redundantemente admiramos equivalem a precisamente nada — talvez menos. Se Deus fosse premiar a competência não premiaria ninguém. É por isso, por não julgar as pessoas pelas competências que têm para oferecer, que Deus faz chover sobre justos e injustos. É com base no rigoroso critério do critério algum que ele derrama do seu sol sobre heróis e marginais.

Jesus opina que na perspectiva divina a única competência que de fato conta é a competência moral, a capacidade de não fazermos o mal aos outros e a habilidade correspondente de fazermos o bem a eles. Todo o resto é acessório e deve ser descartado do nosso caderninho de admirações. Deus, no entanto, conhece-nos o bastante para não decidir julgar-nos nem mesmo por essa competência essencial. Na verdade, explica Jesus, a mais contundente demonstração de competência moral está precisamente na nossa disposição em amar os outros, e assim o círculo se fecha.

O Filho do Homem desafia-nos a sermos nisso singulares (santos) como Deus é, disparando amor arbitrariamente, como metralhadoras, abandonando definitivamente os critérios usuais de competência. Essa regra divina é a Lei Distributiva do Amor, que pode ser expressa desta forma: ninguém merece, por isso todos podem ter.

A Lei Distributiva do Amor:
Ninguém merece,
por isso todos podem ter.

Quem será capaz de sentir-se atraído pelos que não têm coisa alguma para oferecer? Quem será capaz de aceitar os desprovidos de competências? Talvez aquele que desperte para a consciência de que tem o que não merece; esse ousará, quem sabe, distribuir.

Esse estará alterando a tessitura do mundo.

 

Tomado a força do Paulo Brabo, 26.07.07

Categorias: amor | Tags: , , | 2 Comentários

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com. O tema Adventure Journal.

%d blogueiros gostam disto: